O dólar começou a sessão desta segunda-feira (27) recuando 0,39%, sendo cotado a R$ 4,9787. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abriu às 10h. Os mercados seguem monitorando as tensões no Oriente Médio, com novos sinais de impasse entre Estados Unidos e Irã que afetam o fluxo de petróleo e o humor dos investidores.
No front diplomático, o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou a visita de dois enviados americanos ao Paquistão, reduzindo expectativas de avanço nas negociações de paz. Autoridades da região afirmaram que o Irã indicou disposição para encerrar o controle sobre o Estreito de Ormuz, desde que os EUA suspendam o bloqueio ao país. Mesmo com um cessar-fogo considerado frágil, as disputas entre Washington e Teerã têm dificultado a travessia de petroleiros pela rota estratégica do Golfo Pérsico.
Em mais uma medida relacionada à oferta de energia, a Casa Branca informou que Trump concedeu prorrogação de 90 dias à isenção prevista na chamada Lei Jones, permitindo que embarcações não americanas transportem petróleo e gás natural para os Estados Unidos em razão da guerra com o Irã. A assessora de imprensa da Casa Branca, Taylor Rogers, disse que dados coletados após a adoção inicial da flexibilização indicam que a medida ajudou a acelerar a chegada de suprimentos aos portos americanos.
Indicadores e projeções no Brasil
O Boletim Focus mostrou nova alta na projeção da inflação para 2026, pela sétima semana seguida. A estimativa passou de 4,80% para 4,86%, pressionada pelo aumento do preço do petróleo, que opera acima de US$ 100 após a escalada do conflito no Oriente Médio.
Na semana, o dólar acumula +0,29%, no mês -3,50% e no ano -8,95%. O Ibovespa registra, no acumulado da semana, -2,55%, no mês +1,75% e no ano +18,38%.
Negociações e movimentações no Oriente Médio
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, deve chegar a Islamabad na noite desta sexta-feira acompanhado de uma pequena comitiva, em uma visita que, segundo fonte paquistanesa, pode abrir caminho para conversas de paz com os EUA. O movimento surge após uma semana de forte impasse entre Washington e Teerã, marcada por bloqueio naval americano a portos iranianos e ações iranianas no Estreito de Ormuz.
Em meio à escalada, Trump declarou ter ordenado à Marinha americana que “atire e destrua” embarcações iranianas que estejam colocando minas na hidrovia. A declaração foi feita dois dias após o anúncio de extensão, por tempo indeterminado, de um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, decisão que, segundo o presidente, visa abrir espaço para novas tentativas de negociação.
Medida fiscal e mercados internacionais
O governo federal enviou ao Congresso um projeto de lei complementar protocolado na Câmara dos Deputados na quinta-feira (23) que cria mecanismo para usar parte da receita adicional arrecadada com o petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis. A proposta prevê que, quando a alta do petróleo elevar a arrecadação, parte desses recursos seja destinada a aliviar tributos como PIS/Cofins e Cide incidentes sobre diesel, gasolina, etanol e biodiesel enquanto durar o impacto gerado pela guerra no Oriente Médio.
No exterior, na sexta-feira, Wall Street fechou sem direção única: Dow Jones caiu 0,16%, S&P 500 subiu 0,80% e Nasdaq avançou 1,63%. Na Europa, o índice STOXX 600 recuou 0,6%, para 610,65. Entre os principais mercados, o DAX caiu 0,11% (24.128,98 pontos), o CAC 40 perdeu 0,84% (8.157,82 pontos) e o FTSE 100 recuou 0,75% (10.379,08 pontos). Na Ásia, o índice SSE de Shanghai caiu 0,33% (4.079 pontos), o CSI 300 foi a -0,35% (4.769 pontos), o Hang Seng subiu 0,24% (25.978 pontos) e o Nikkei 225 avançou 0,97% (59.716 pontos).
As movimentações no câmbio e nos índices domésticos seguem condicionadas às notícias sobre o conflito entre EUA e Irã e aos desdobramentos no mercado de petróleo.


