A fabricante chinesa de aeronaves elétricas EHang Holdings Ltd. retirou sua meta anual de receita depois que o fortalecimento das normas de segurança na China adiou o começo das operações comerciais de transporte de passageiros. As medidas foram tomadas após um acidente fatal em Pequim e ampliaram a incerteza regulatória no segmento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL).
Durante uma teleconferência de resultados na terça-feira (25), o diretor financeiro Yang Jiahong informou que a empresa não estabelecerá por enquanto uma nova meta de receita. Segundo ele, as projeções serão revistas quando houver melhora no ambiente regulatório e maior visibilidade sobre os negócios.
Em março de 2025, a EHang havia projetado que sua receita em 2026 cresceria cerca de 18% em relação a 2025, alcançando 600 milhões de yuans (aproximadamente R$ 458 milhões). No entanto, no primeiro semestre de 2026 a companhia registrou receita de 104 milhões de yuans (cerca de R$ 79 milhões), queda de 25,7% na comparação anual e equivalente a 17,3% da meta anteriormente estabelecida para o ano.
Acidente e endurecimento das regras
O endurecimento do marco regulatório ocorreu depois do acidente de 26 de junho, quando uma aeronave esportiva leve saiu da rota e colidiu com um arranha-céu no centro de Pequim. O impacto desintegrou o veículo, matou o piloto e feriu outras 13 pessoas.
Embora o episódio tenha sido atribuído principalmente a erro humano e não estivesse ligado diretamente à tecnologia de voo autônomo, os reguladores passaram a agir com mais cautela em todo o setor de baixa altitude, afirmou o diretor de operações da EHang, Wang Zhao, na teleconferência.
Wang acrescentou que a resposta das autoridades foi mais rigorosa do que a empresa esperava, com aumento das inspeções de segurança em companhias de aviação geral, aeronaves e projetos operacionais, o que retardou aprovações, aceitação de entregas e o início de operações comerciais. A autorização para a EHang iniciar voos comerciais de passageiros em Hefei foi adiada e ainda não tem data definida.
Testes e impacto nas entregas
Em março de 2025, duas subsidiárias da EHang receberam o primeiro lote de certificados de operador para veículos aéreos civis não tripulados destinados ao transporte de passageiros, emitidos pela Administração de Aviação Civil da China (CAAC). Na época, a empresa informou que consumidores poderiam adquirir passagens para voos em Guangzhou e Hefei. Mais de um ano depois, ambos os projetos seguem em fase de testes internos.
Os atrasos também reduziram as entregas: no segundo trimestre de 2026 a EHang comercializou 35 unidades do eVTOL EH216, ante 52 no mesmo período de 2025. A receita trimestral caiu 31,3% em relação ao ano anterior, para 77,9 milhões de yuans (aproximadamente R$ 60 milhões), e o prejuízo líquido subiu 24,3%, atingindo 128 milhões de yuans (cerca de R$ 98 milhões).
Diversificação e controle de custos
No segundo trimestre, o transporte de passageiros respondeu por aproximadamente 92% da receita da EHang; o restante provém principalmente da venda de drones usados em voos em formação e apresentações aéreas. A companhia também afirmou que vem reforçando o controle de custos e investimentos: desde o segundo trimestre tem otimizado eficiência organizacional e estrutura de pessoal, cortado investimentos considerados desnecessários e buscado maior eficiência no uso de recursos.


