O Painel El Niño 2026-2027, elaborado por instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), indica probabilidade superior a 90% de que o fenômeno alcance intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão. O aquecimento das águas do Pacífico tende a elevar temperaturas e precipitação em boa parte do país, ampliando potenciais locais de reprodução do mosquito Aedes aegypti logo no início da temporada de dengue, prevista para começar em outubro de 2026.
Uma nota técnica do Infodengue, publicada em agosto, comparou cenários de El Niño forte e neutro para o segundo semestre de 2026 e apontou impacto mais acentuado da dengue nas regiões Sul, Sudeste e Norte. Em estados como São Paulo e Minas Gerais, a combinação de mais calor e umidade pode antecipar e intensificar o começo da temporada, aumentando a relevância de vacinas e medidas preventivas.
Vacinação e prevenção
O farmacêutico e consultor técnico da Araujo, Hairton Guimarães, ressalta que vacina e repelente têm papéis complementares: o repelente e o controle da água parada reduzem a chance de picada, enquanto a vacinação diminui o risco de evolução para casos graves caso a infecção ocorra. Segundo ele, as camadas de proteção são distintas e não se substituem.
Quem pode tomar a Qdenga
A rede Araujo disponibiliza a vacina Qdenga para pessoas de 4 a 60 anos (até 59 anos, 11 meses e 29 dias), em esquema de duas doses com intervalo de três meses; crianças, adolescentes e adultos recebem a mesma formulação e dosagem. A vacina não é indicada para gestantes, lactantes, pessoas com reação alérgica grave a doses anteriores ou a componentes da fórmula, nem para indivíduos com imunodeficiência grave ou em quimioterapia. Antes da aplicação, o farmacêutico avalia histórico recente de dengue ou outra arbovirose, presença de febre e uso recente de imunoglobulina ou hemoderivados.
Aqueles que já tiveram dengue também devem se vacinar, pois infecções anteriores não garantem proteção contra os quatro sorotipos do vírus. A lista de unidades da Araujo que prestam serviço de vacinação pode ser consultada neste material: Clique aqui. A compra do imunizante é possível pelo site, aplicativo, Drogatel ou WhatsApp, com opção de agendamento; a aplicação é feita por profissionais capacitados.
A Araujo dispõe também do Espaço Sérgio Mena na Filial 120 Anos, localizada na Rua Rio Grande do Norte, 515, Funcionários, área estruturada para atender famílias durante o processo de vacinação.
Exames rápidos e condutas clínicas
Como dengue, zika e chikungunya compartilham sinais iniciais, a Araujo oferece exames rápidos específicos, incluindo o teste Dengue Duo e testes direcionados para zika e chikungunya. A confirmação no mesmo dia permite orientações precoces sobre hidratação, repouso e necessidade de acompanhamento médico, além de colaborar no controle epidemiológico.
Medicamentos como ácido acetilsalicílico (AAS) e anti-inflamatórios não esteroides — ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida — devem ser evitados porque aumentam o risco de hemorragias. Em casos de febre e dor, o uso pontual de dipirona ou paracetamol pode ser indicado para alívio, mas não substitui a avaliação médica, que é necessária para confirmar o diagnóstico, ajustar dosagem e monitorar sinais de alarme.
Os sinais que exigem atendimento imediato incluem dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos, queda de pressão, tontura, sonolência excessiva ou confusão mental. Crianças, gestantes e idosos são mais vulneráveis a complicações e demandam vigilância reforçada.
Repelentes e eliminação de criadouros
Ao escolher repelente, verifique o rótulo e a concentração do princípio ativo. A icaridina oferece proteção por mais tempo e pode ser usada por gestantes e crianças; o DEET é indicado a partir dos 2 anos; o IR3535 é liberado a partir dos 6 meses, mas requer reaplicações mais frequentes. Em bebês menores de 6 meses, o uso de repelente na pele não é recomendado; a proteção deve ser feita por meio de roupas compridas e mosquiteiro. Quando for usado protetor solar, o repelente deve ser aplicado por último.
Recursos como velas e aparelhos elétricos ajudam a reduzir mosquitos no ambiente, mas não protegem a pele ao ar livre. As medidas mais eficazes continuam sendo o uso de repelente e a eliminação de água parada em vasos, calhas, caixas-d’água, pneus e outros recipientes, recomendação também adotada pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde.


