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sábado, setembro 26, 2026

El Niño intenso pode elevar temperaturas e provocar 13,3 mil mortes por calor no Brasil, aponta estudo

O El Niño registrado neste ano, considerado por pesquisadores um dos mais fortes da história, pode resultar em 13,3 mil mortes relacionadas ao calor no Brasil no período entre setembro e fevereiro. A estimativa é do Laboratório de Impacto Climático (Climate Impact Lab), ligado à Universidade de Chicago.

Segundo o levantamento, o total projetado para o país representa cerca de 8 mil óbitos a mais do que o esperado em anos sem a influência do El Niño. Em Uberlândia, os pesquisadores apontam que, em momentos críticos, as temperaturas podem ficar entre 3°C e 6°C acima da média histórica.

No âmbito global, o relatório estima 451 mil mortes associadas ao calor extremo nos próximos seis meses. Os efeitos mais severos devem incidir sobre países do Sul Global, segundo os autores.

A análise detalha regiões específicas: a faixa do Sahel, incluindo Nigéria, Sudão, Níger e Chade, pode registrar 66,8 mil mortes adicionais, com a Nigéria respondendo por cerca de 31,4 mil desse total. No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somariam 19,4 mil óbitos, número semelhante à projeção para a Indonésia (19,3 mil). A Índia aparece com estimativa de 15,8 mil mortes relacionadas ao calor extremo.

Entre os pontos destacados pelo laboratório está a posição do Brasil como o país mais afetado na América do Sul. Os pesquisadores alertam que as projeções podem crescer se o El Niño se estender até 2027, ampliando o tempo de exposição da população a temperaturas anormalmente altas.

O estudo também calcula que o número de dias de calor extremo deve aumentar 44% em comparação com anos sem o fenômeno. Os autores descrevem o El Niño atual como um indicativo do que pode se tornar recorrente nas próximas décadas com o avanço das mudanças climáticas.

Michael Greenstone, economista da Universidade de Chicago e cofundador do laboratório, afirmou que a magnitude das projeções é alarmante por envolver “pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”. Greenstone acrescentou que o relatório tem caráter prático: permite identificar onde ações emergenciais podem salvar dezenas de milhares de vidas nos próximos meses.

Tamma Carleton, chefe de pesquisa do laboratório e professora na Universidade da Califórnia em Berkeley, defendeu investimentos em planejamento de longo prazo. Ela ressaltou que ampliar a capacidade de resposta a emergências e direcionar melhor recursos pode reduzir mortes este ano, mas que é preciso evitar viver em permanente estado de emergência quando as condições extremas se tornarem rotineiras.

Como medidas prioritárias, o estudo recomenda foco em regiões onde o calor extremo se combina com maior vulnerabilidade social, propondo sistemas de alerta precoce, centros de resfriamento e proteção para trabalhadores ao ar livre. Os pesquisadores informaram que atualizarão periodicamente as projeções e tornarão os novos dados públicos à medida que o El Niño evoluir.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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