Empresas cortam negócios com Cuba após ordem executiva dos EUA
Várias empresas estrangeiras já reduziram ou encerraram atividades em Cuba nas últimas semanas, pressionadas por sanções impostas pelos Estados Unidos que atingem o conglomerado econômico-militar Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa).
Em 1º de maio, o presidente americano Donald Trump assinou uma ordem executiva que intensifica as penalidades contra Cuba, afirmando que a ilha representa “uma ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos. Desde janeiro, a administração americana também mantém um bloqueio petrolífero à ilha.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro estabeleceu como prazo final a próxima sexta-feira (5) para que empresas estrangeiras com vínculos comerciais com o Gaesa ajustem suas operações, sob pena de sofrer sanções. As medidas incluem restrições ao acesso ao sistema financeiro internacional, proibição de bancos de realizarem transações com essas empresas e o congelamento de ativos.
No setor turístico, a rede espanhola Meliá anunciou que encerrará a gestão e a comercialização imediata de 15 hotéis administrados em parceria com o Gaesa, sem mencionar outros 19 empreendimentos que opera com o Ministério do Turismo de Cuba. A Iberostar também deixou de administrar 12 hotéis associados ao Gaesa, enquanto manteve atuação em seis unidades vinculadas ao ministério.
No setor de mineração, a canadense Sherritt — que explorava níquel e cobalto desde a década de 1990 por meio da empresa mista General Nickel Company S.A. — foi, em 7 de maio, a primeira companhia estrangeira a anunciar sua saída de Cuba.
O economista e consultor cubano Daniel Torralbas afirmou à AFP que a saída dessas empresas terá impacto “devastador” na economia do país no curto prazo e que isso “transforma 2026 no pior ano da história econômica de Cuba nos últimos 70 anos”.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, acusou líderes cubanos de roubo e corrupção por meio do Gaesa, lembrando que o ex-presidente Raúl Castro foi fundador do conglomerado, que, segundo o Departamento de Estado dos EUA, detém ativos avaliados em US$ 18 bilhões e controla até 70% da economia cubana. O governo de Cuba, por sua vez, defendeu o papel do Gaesa, criado na década de 1990 para contornar o embargo americano e gerar divisas.
Fonte: G1


