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quinta-feira, setembro 17, 2026

Ensino superior eleva renda em até 110% e mostra variações por curso e modalidade

Diploma aumenta renda, mas entrada no mercado tem obstáculos

A 5ª Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp mostra que a conclusão do ensino superior está associada a um aumento médio de renda entre os entrevistados: o rendimento bruto mensal passou de R$ 2,7 mil antes da graduação para R$ 5,8 mil após o diploma, crescimento de 110%. O levantamento ouviu 4.106 egressos de 200 instituições e 134 cursos em todo o Brasil entre 8 de julho e 23 de agosto de 2026.

Segundo a pesquisa, 82% dos formados exercem alguma atividade. Considerando apenas os que têm emprego remunerado, 77,1% atuam na própria área de formação e 22,9% trabalham em outro campo. A inserção varia conforme o curso: Medicina lidera com 95,7% dos formados trabalhando na área. Em seguida estão Odontologia (84,5%), Engenharia Elétrica (80%), Sistemas de Informação (79,2%), Farmácia (77,4%), Fisioterapia (77,1%), Educação Física (75%), Pedagogia (74,8%), Medicina Veterinária (70,4%) e Psicologia (69,4%).

Por outro lado, cursos com maior proporção de profissionais fora da área incluem Gestão de Pessoas/RH (42,2%), Marketing (32,1%), Engenharia Civil (31%), Análise e Desenvolvimento de Sistemas (30%), Engenharia de Produção (26,1%), Logística (24,6%) e Biomedicina (24,3%). Entre os cursos com maior parcela de egressos sem atividade remunerada no momento da pesquisa aparecem Biomedicina e Marketing (34% cada), Ciência da Computação (32,5%), Gestão de Pessoas/RH (32,2%) e Análise e Desenvolvimento de Sistemas (28%).

Modalidade e perfil da amostra

A modalidade de ensino influencia a inserção profissional: entre os egressos com atividade remunerada, 81,3% dos formados em cursos presenciais trabalham na área, contra 75% dos semipresenciais e 58,4% dos de cursos a distância (EAD). Consequentemente, 41,6% dos formados em EAD que têm emprego atuam em área diferente da graduação, ante 18,7% dos presenciais.

A amostra é concentrada no setor privado: 98,5% cursaram a graduação em instituições particulares; 53,3% disseram ter bolsa ou financiamento e 45,2% afirmaram não ter esses recursos. Além disso, 66% haviam concluído a graduação há menos de três anos.

Barreiras de entrada e experiência

Entre as principais dificuldades apontadas para conseguir emprego após a graduação, 42,8% citaram a falta de experiência na área, 29,6% salários baixos e 26,2% ausência de vagas na área de formação. Outros obstáculos mencionados foram adaptação à rotina profissional (16%), dificuldades de networking (15,7%) e falta de vagas em qualquer área (9,3%).

A pesquisa indica que 60,6% já trabalhavam durante a graduação, 18,1% fizeram estágio (remunerado ou não) e 21,3% não trabalhavam enquanto estudavam. Em respostas abertas, egressos mencionaram insuficiência de estágios, distância entre teoria e prática, necessidade de atualização curricular e busca por qualificação complementar.

Rendimento por faixa e por atuação

Entre os profissionais que exercem atividade remunerada, 29,1% recebem entre R$ 3 mil e R$ 5 mil mensais e 22,5% têm renda entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Somadas, as faixas de R$ 2 mil a R$ 10 mil reúnem 68,2% dos respondentes.

Atuar na área de formação está associado a faixas salariais mais elevadas: entre quem trabalha na própria área, 55,9% recebem até R$ 5 mil, 34,3% entre R$ 5 mil e R$ 15 mil e 9,8% mais de R$ 15 mil. Para quem atua fora da área, 74% recebem até R$ 5 mil, 22,2% entre R$ 5 mil e R$ 15 mil e 3,7% ganham acima de R$ 15 mil.

Pós-graduação, formação continuada e diferença por gênero

O nível de escolaridade também mostra diferenças de renda média: graduados têm rendimento médio de R$ 4.630; quem tem pós-graduação lato sensu (especialização ou MBA) registra média de R$ 6.684; e stricto sensu (mestrado, doutorado e pós-doutorado) chega a R$ 9.262. Na distribuição, 73,2% dos graduados recebem até R$ 5 mil, porcentual que cai para 49,8% entre os com especialização e para 26,9% entre os com formação stricto sensu.

Quanto à formação continuada, 50,6% fizeram cursos on-line, 49,6% cursos livres, 42,1% certificações profissionais e 36,6% especialização; 15,4% não realizaram formação adicional.

A pesquisa constatou diferença salarial por gênero: a média das mulheres é de R$ 4.913, enquanto a dos homens é de R$ 6.992 — média masculina 42,3% superior à feminina. Em faixas de renda, 70% das mulheres recebem até R$ 5 mil, contra 46,9% dos homens. Na faixa acima de R$ 15 mil estão 4,8% das mulheres e 12,4% dos homens. A análise não incluiu outros gêneros por insuficiência de amostra.

Tecnologia, preparação e sugestões dos egressos

Apenas 27,8% dos entrevistados avaliam que a graduação os preparou plena ou parcialmente para usar ferramentas digitais e inteligência artificial (7,1% plenamente; 20,7% parcialmente). Separadamente, 49,4% dizem que a IA aumentou sua produtividade ou transformou significativamente suas atividades (29,9% relatam aumento de produtividade; 19,5% mudança significativa). Outros 20,6% afirmaram que a tecnologia exigiu novas competências.

Em sugestões sobre como as instituições poderiam ajudar na busca por emprego, egressos pediram maior aproximação com empresas, mais estágios — especialmente remunerados —, programas de primeiro emprego, divulgação de vagas, orientação de carreira, atividades práticas, atualização curricular e uso aplicado de novas tecnologias. A pesquisa conclui que o diploma continua associado à mobilidade profissional e econômica, mas por si só não elimina as barreiras de entrada no mercado, destacando a importância de experiência, competências digitais e atualização contínua.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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