Associações do setor de comunicação repudiaram decisões judiciais que levaram ao cancelamento do debate presidencial da Globo. Em nota conjunta divulgada em Brasília na quinta-feira, 1º de outubro, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram solidariedade à emissora e criticaram as determinações da Justiça.
Alterações nas regras e reação das entidades
As três entidades afirmaram que medidas judiciais impostas nas horas que antecederam o programa modificaram regras previamente acertadas entre a Globo e os partidos meses antes. Segundo as associações, essas determinações introduziram obrigações que não constavam da legislação e representaram, na avaliação delas, uma “agressão à liberdade de imprensa”, além de interferirem na autonomia da emissora para definir a organização do encontro.
Na nota, ABERT, ANER e ANJ sustentam que o cancelamento do debate prejudicou o público, dificultando o acesso dos eleitores às propostas dos candidatos que tinham aceitado o convite para participar.
Motivos do cancelamento
A Globo atribuiu a decisão de suspender o debate às decisões judiciais recebidas horas antes do programa, que teriam alterado aspectos das regras previstas e gerado insegurança jurídica. Entre as determinações apontadas pela emissora estiveram orientações sobre como deveria ser tratada a ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), questões relativas à participação de Renan Santos (Missão) e a discussão sobre os critérios de representação parlamentar que envolveram Romeu Zema (Novo).
Repercussão entre candidatos
O cancelamento também provocou reações de alguns postulantes que integrariam o debate. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) criticaram as decisões judiciais e lamentaram a não realização do programa. Caiado classificou as determinações como um “atentado à democracia brasileira”; Zema fez críticas à atuação do Judiciário no episódio; e Cury lamentou perder a oportunidade de apresentar suas propostas no debate.
O texto da nota das associações está datado de 1º de outubro e foi divulgado em Brasília. Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) já haviam informado que não participariam do encontro.
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