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domingo, maio 24, 2026

Entrada no ensino médio reduz bem-estar de alunos por mais de dois anos, indica estudo

Transição para o ensino médio provoca queda duradoura no bem-estar de estudantes, aponta pesquisa

Um estudo da Universidade de Adelaide, na Austrália, concluiu que a passagem do ensino fundamental para o ensino médio compromete o bem-estar dos estudantes e que esse impacto negativo pode durar mais de dois anos após a mudança de escola. A investigação se baseou na experiência de 20.910 alunos de escolas públicas do sul da Austrália, com 104.800 observações coletadas entre 2019 e 2025.

Publicada no Journal of Child Psychology and Psychiatry, a pesquisa aproveitou uma reforma educacional implementada em 2022, quando turmas dos 7º e 8º anos foram transferidas para o ensino médio ao mesmo tempo. Esse cenário configurou um “experimento natural” que permitiu distinguir efeitos decorrentes da idade daqueles associados especificamente à mudança de ambiente escolar.

Os pesquisadores monitoraram oito domínios do bem-estar: engajamento cognitivo; felicidade; otimismo; perseverança; regulação emocional; satisfação com a vida; tristeza; e preocupação. Em todos esses itens houve deterioração após a transição, com aumento de sentimentos negativos e diminuição das medidas de satisfação.

Os principais achados incluem uma queda generalizada nos oito domínios avaliados e a constatação de que os efeitos não são passageiros: os prejuízos persistem por, pelo menos, dois anos após a entrada no ensino médio. Engajamento cognitivo e perseverança apresentaram as maiores reduções, sugerindo dificuldades dos alunos para se adaptar às novas exigências acadêmicas.

O trabalho identificou ainda grupos especialmente vulneráveis. Estudantes do sexo feminino registraram declínios mais acentuados em comparação aos meninos, possivelmente devido à maior valorização das relações interpessoais e ao impacto das comparações sociais nesse período. Alunos de áreas rurais e remotas, que partiam de níveis relativamente altos de bem-estar antes da transição, sofreram quedas pronunciadas que, segundo os autores, chegaram a se estender até o terceiro ano após a mudança.

Segundo o líder do estudo, Mason Zhou, a troca de escola envolve adaptação a novos ambientes e estruturas sociais, além de perda de redes de apoio anteriores, o que explica por que a transição pesa mais do que as mudanças biológicas típicas da adolescência. A coautora Dot Dumuid ressaltou que os desafios de bem-estar não desaparecem necessariamente após os primeiros meses e podem reaparecer à medida que as turmas e a pressão escolar evoluem.

Com base nos resultados, os autores recomendam que políticas e práticas escolares considerem a transição para o ensino médio como um processo prolongado de risco, e não como um evento pontual, defendendo acompanhamento e apoio continuados por pelo menos dois anos após a mudança. Entre as medidas sugeridas estão programas de monitoramento, ensino de estratégias de aprendizagem específicas para o ensino secundário e apoio socioemocional sensível às diferenças de gênero e ao contexto de alunos de áreas remotas.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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