Especialistas em segurança pública afirmam que a proposta de flexibilização das regras de comercialização de armas nos Estados Unidos, apresentada pela administração de Donald Trump, pode facilitar o acesso de facções criminosas brasileiras a armamentos. Um estudo recente aponta os EUA como uma das principais origens das armas de fogo apreendidas na região Sudeste do Brasil.
O pacote de mudanças formulado pelo Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos (ATF) prevê 34 medidas que modificam normas de venda. Entre as propostas estão a permissão para compra de armas pelos correios e uma verificação de antecedentes mais permissiva para compradores.
Analistas brasileiros manifestam preocupação porque os Estados Unidos são um dos maiores exportadores de armamentos globalmente e exercem forte influência sobre o mercado internacional. Em relatório citado, há referência de que, no México, cerca de 80% das armas apreendidas com cartéis de narcotráfico têm origem nos EUA.
Um estudo publicado no Journal of Illicit Economies and Development examinou o crescimento da circulação de armas de perfil militar no Brasil no período de 2019 a 2023. A pesquisa aponta que o mercado ilegal de armas no país é abastecido tanto pela produção artesanal quanto pelo tráfico internacional, com os Estados Unidos entre os fornecedores mais relevantes.
No estado de Minas Gerais, entre 2019 e 2023, foram registradas quantidades expressivas de apreensões de armas, com predominância de submetralhadoras. O levantamento indica que Minas ocupa a segunda posição em apreensões de armamento de uso militar, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, o que evidencia uma distribuição específica desse tipo de armamento na região Sudeste.
Além disso, os Estados Unidos realizaram a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, com a finalidade declarada de dificultar o acesso dessas facções a recursos financeiros e a operações fora do Brasil.
As informações apontam para um cenário em que alterações nas regras americanas de venda de armas e a dinâmica do mercado ilícito internacional podem ter impacto direto sobre a disponibilidade de armamentos no Brasil, conforme os dados e análises citados no estudo.


