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quarta-feira, outubro 7, 2026

Estudo aponta práticas que melhoraram o ensino da matemática em redes municipais e sugere plano integrado para recuperação

Um estudo do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), feito em parceria com a B3 Social e em diálogo com a Fundação Lemann, mapeou iniciativas que deram certo no ensino público de matemática e propõe um conjunto de medidas articuladas para recuperar a aprendizagem. A pesquisa foi divulgada em 7 de outubro de 2026 e avaliou experiências em redes municipais que apresentam desempenho consistente, mesmo entre alunos de baixa condição socioeconômica.

O levantamento parte de um quadro nacional preocupante: a parcela de alunos do 5º ano com nível adequado em matemática subiu de 44% em 2023 para 51% em 2025, segundo o Saeb, mas a maioria continua sem dominar competências essenciais. No TIMSS 2023 o Brasil atingiu 400 pontos — 103 a menos que a média de países desenvolvidos — ficando acima apenas de Kuwait e África do Sul. No Pisa entre 2015 e 2025, o desempenho também mostrou pouquíssima evolução; aos 15 anos, cerca de sete em cada dez estudantes não conseguem realizar contas simples.

Municipalidades estudadas e critérios de seleção

Foram analisadas as redes de Casinhas (PE), Joaquim Távora (PR), Ji-Paraná (RO), Miracema (RJ), Junqueirópolis (SP) e Anicuns (GO), além de Cruz (CE), onde ocorreu o piloto. Segundo Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Iede, a escolha priorizou redes com consistência nos bons resultados, inclusive entre alunos de menor nível socioeconômico.

Principais ações recomendadas

O material divulgado pelo Iede lista ações que, quando combinadas, podem elevar o aprendizado na matemática nos anos iniciais. Entre elas estão a distribuição de materiais manipuláveis (ábacos, dobraduras, objetos recicláveis); a montagem de salas “matematicamente ricas” com retas numéricas, tabuadas, calendários e representações de moedas; e a aplicação de avaliações próprias para identificar lacunas e orientar o trabalho docente.

Os pesquisadores defendem rotinas de aula bem definidas, com momentos de revisão, prática sistemática e correção; sessões específicas para desenvolver fluência nos cálculos; e tarefas que provoquem a explicação dos procedimentos pelos alunos, não só a checagem do resultado. Também apontam para a necessidade de investimento em equipes pedagógicas, com coordenação ativa e profissionais de apoio, além de ações que estimulem o interesse dos estudantes, como olimpíadas e feiras com a família.

Gestão da rede

O estudo recomenda metas claras, trabalho colaborativo entre secretarias e escolas, acompanhamentos regulares por equipes técnicas e integração entre currículo, materiais, formação e avaliações. Avaliações internas e externas devem orientar ajustes de planos de aula e ações de reforço. A coordenação pedagógica aparece como ponte entre secretaria e sala de aula, com papel de acompanhar planos e organizar formações in loco.

Desafios citados incluem a escassez de especialistas em matemática, sobrecarga das equipes técnicas e a dificuldade de manter continuidade das ações diante de trocas de gestão municipal.

Dia a dia em sala de aula

O estudo aponta que aulas estruturadas — com revisão, explicação, resolução coletiva, atividades individuais e correção — favorecem aprendizagem. Recomenda-se combinar prática e investigação, incentivar que alunos expliquem raciocínios e usar erros para diagnosticar e orientar intervenções. O documento alerta contra foco exclusivo em memorização ou treino mecânico.

Tempo, espaços e recursos

Entre as sugestões estão o aproveitamento rigoroso do tempo de aula, promoção de cultura que valorize a matemática e o uso pedagógico de materiais expostos nas escolas. Mesmo com infraestrutura limitada, as redes podem reorganizar espaços para permitir atividades em grupo. As principais dificuldades apontadas são desigualdades de infraestrutura, uso meramente decorativo de materiais e acesso desigual a recursos entre unidades.

Materiais e recursos pedagógicos

O Iede recomenda o uso frequente de objetos concretos — jogos, ábacos, relógios, sólidos geométricos e materiais recicláveis — e a produção de materiais locais adaptados à realidade municipal. Ressalta-se que o diferencial é a mediação do professor, não a quantidade de recursos disponíveis.

Avaliação

Secretarias são estimuladas a criar sistemas contínuos de diagnóstico alinhados ao Saeb e ao currículo, usando os dados para orientar turmas de reforço e atendimentos individualizados. O estudo alerta para o risco de reduzir a avaliação à preparação para provas de múltipla escolha e propõe instrumentos que avaliem a capacidade de explicar e resolver problemas.

Formação docente e inclusão

Entre as práticas bem-sucedidas estão formações periódicas organizadas pelas secretarias, parcerias com universidades e instituições, e estruturas de suporte para inclusão (profissionais de apoio, AEE e salas de recursos). O estudo aponta a escassez de formações específicas em matemática, a necessidade de tornar os momentos coletivos de trabalho efetivos e a insuficiência de equipes especializadas para atender todas as demandas.

O relatório do Iede destaca que nenhuma ação isolada é suficiente: materiais, atividades e avaliações só produzem efeitos quando integrados a objetivos claros e à mediação docente.

G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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