Decisão da FCC e alcance das restrições
Os Estados Unidos proibiram a importação de robôs humanoides e de quadrúpedes produzidos fora do país, medida anunciada pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) nesta terça-feira, 28/07. A agência afirmou que esses dispositivos robóticos avançados representam riscos à segurança nacional e à cibersegurança, baseando-se em conclusões de uma força-tarefa da Casa Branca que apontou a possibilidade de ameaças cibernéticas à infraestrutura crítica e à segurança da população.
A FCC definiu como alvo da restrição dispositivos móveis com peso superior a dois quilos que empreguem sensores, conectividade de rede e software para navegação autônoma, incluindo capacidade de evitar obstáculos. A proibição também alcança robôs quadrúpedes, conhecidos popularmente como “cães-robôs”.
Contexto do mercado e impacto esperado
O mercado global de robôs humanoides e quadrúpedes é apontado como uma das principais frentes de crescimento tecnológico, com competição entre empresas americanas e chinesas. A China detém posição dominante: analistas do Barclays estimam que fabricantes chineses respondam por cerca de 85% do mercado global. Especialistas do Morgan Stanley projetam que o mercado chinês do setor pode chegar a 15 bilhões de dólares (R$ 76,9 bilhões) até 2030.
Segundo Kangyuxiao Li, analista da Morningstar, os fabricantes chineses ampliaram produção e reduziram custos mais rápido que a maioria dos concorrentes. Em 2025, as empresas chinesas Unitree e AGIBOT teriam vendido, ao todo, 10 mil robôs humanoides para o exterior, enquanto exportações americanas permanecem na casa das centenas de unidades, segundo a consultoria Omdia.
No mercado interno, empresas dos EUA como a Figure AI já utilizam robôs humanoides em linhas de produção, e a Tesla planeja iniciar ainda este ano a fabricação do robô Optimus. O presidente da FCC, Brendan Carr, disse que a medida também busca proteger cadeias de suprimento consideradas estratégicas.
Consequências diplomáticas e outros alvos
Especialistas apontam que a proibição pode intensificar tensões entre Washington e Pequim antes do encontro previsto entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em setembro. Os EUA já proibiram a entrada de drones chineses e avaliam restrições a modelos chineses de inteligência artificial de código aberto, citando preocupações com espionagem, vigilância e coleta de dados. Recentemente, o Pentágono incluiu a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia em uma lista de companhias supostamente ligadas às Forças Armadas chinesas; Pequim rejeitou a acusação.
Atualmente, a maior parte dos robôs humanoides é usada em ambientes industriais controlados, como fábricas de automóveis e centros de armazenamento. Robôs industriais estacionários foram mantidos fora da proibição, mas a definição adotada pela FCC pode abranger, dependendo da interpretação, aspiradores robóticos mais avançados.
Restrições a inversores de energia
A FCC incluiu também na lista de equipamentos sujeitos a restrições inversores de energia fabricados no exterior — dispositivos que convertem corrente contínua gerada por painéis solares em corrente alternada compatível com a rede elétrica. A agência afirmou que equipamentos conectados à internet podem ser desativados remotamente ou usados para coleta de dados, apresentando riscos semelhantes aos atribuídos aos robôs. Assim como na robótica, a medida deve atingir principalmente fabricantes chineses, que dominam hoje o mercado global de inversores para sistemas solares.
Fim da notícia.
Fonte: G1


