Brasília/Estados Unidos — O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) oficializou nesta quinta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma parcela das importações oriundas do Brasil, com vigência a partir de 22 de julho. A medida se soma a um padrão tarifário já fragmentado entre os dois países e que, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), levou à perda de R$ 13,28 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.
De acordo com a CNI, a cobrança de sobretaxas que vinha sendo aplicada desde 2025 dividia os produtos brasileiros em três grupos: 46% das mercadorias não sofriam sobretaxas adicionais; 25% eram atingidas por uma tarifa geral de 10%; e 29% — em sua maioria itens de aço, alumínio e cobre — já enfrentavam alíquotas específicas de até 50% previstas pela Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962.
O estudo da CNI também indica que, no primeiro semestre de 2026, 20 das 27 unidades federativas reduziram o volume exportado aos EUA em comparação com o mesmo período do ano anterior. No agregado, as vendas ao mercado norte-americano recuaram 13% em termos percentuais. Entre os bens que mais contribuíram para a retração estão produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço; a queda nas vendas de bens industriais foi estimada em 8,7%.
Apesar da perda de mercado e das novas medidas, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.
O USTR informou que a decisão foi tomada por determinação do presidente Donald Trump, que concluiu existir práticas e políticas brasileiras consideradas “desarrazoadas” e restritivas ao comércio americano. Os EUA argumentam que a sobretaxa visa proteger agricultores, trabalhadores, empresas e inovadores norte-americanos, nivelando o campo de competição.
A Confederação Nacional da Indústria avaliou que a sobretaxa tende a ampliar a insegurança para empresas dos dois países e pressiona a competitividade da indústria brasileira. A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) também manifestou preocupação, afirmando que o impacto final dependerá da lista detalhada de produtos e das classificações tarifárias, podendo provocar substituição de fornecedores, queda de margens e renegociação de contratos.
O governo brasileiro informou que analisará a lista final de mercadorias atingidas antes de decidir sobre a continuidade das negociações ou sobre a adoção de instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica. Além dessa tarifa, os EUA conduzem outra investigação que pode resultar na aplicação de uma sobretaxa adicional de 12,5% para cerca de 60 economias, motivada por preocupações relacionadas ao uso de trabalho forçado.
Alguns produtos, como carne, suco de laranja e café, foram inicialmente excluídos da nova rodada de tarifas, enquanto outros — entre eles açúcar, etanol e máquinas agrícolas — constam entre os itens que podem ser afetados.
Especialistas consultados pelo levantamento apontam que, no curto prazo, substituir fornecedores americanos é difícil, o que limita a capacidade das empresas brasileiras de absorver os custos. A pressão sobre preços e insumos pode impactar a inflação e a atividade econômica, além de estender a necessidade de juros mais altos.
Fonte: G1


