Processo na Califórnia
Um ex-engenheiro da xAI, empresa de inteligência artificial fundada por Elon Musk, entrou com uma ação judicial afirmando que foi demitido por levantar preocupações sobre a segurança do chatbot Grok. O processo foi protocolado na terça-feira (09) em um tribunal estadual da Califórnia.
O autor da ação, Devin Kim, alega que suas tentativas de estabelecer mecanismos de proteção para o desenvolvimento do Grok tornaram-no alvo da liderança da companhia. Segundo o documento, Grok chegou a gerar milhões de imagens sexualizadas envolvendo mulheres e menores, e Kim teria alertado que a falta de priorização da segurança poderia levar a atos ilegais, incluindo discriminação e até contribuição para a proliferação de armas de destruição em massa.
Kim afirma que foi uma das primeiras contratações da xAI em 2024 e que recebeu promoção a cargo de liderança poucos meses depois. Ainda de acordo com o processo, ele buscou implementar testes e procedimentos de segurança nos sistemas da empresa, mas seu supervisor, Jimmy Ba — cofundador da xAI — teria rejeitado suas propostas. O ex-funcionário alega ter sido demitido de forma abrupta em setembro do ano passado, pouco antes de apresentar suas preocupações à alta direção.
A ação acusa a xAI e a SpaceX de retaliação e demissão injusta em violação à legislação da Califórnia e requer indenização por danos em valor não especificado. A xAI e a SpaceX não responderam imediatamente aos pedidos de comentário mencionados no processo.
Na semana passada, o Center for AI Safety, organização sem fins lucrativos que pesquisa riscos associados à inteligência artificial, anunciou a nomeação de Kim como presidente da entidade.
Contexto e antecedentes
Elon Musk, a pessoa mais rica do mundo, criou a xAI em 2023 com a proposta de oferecer uma alternativa mais segura à OpenAI, organização na qual participou anteriormente. No mês passado, um júri rejeitou ação movida por Musk que alegava que a OpenAI havia se afastado de sua missão de beneficiar a humanidade.
O processo envolvendo Kim ocorre às vésperas de uma oferta pública inicial de ações (IPO) planejada pela SpaceX para sexta-feira (12), que deve ser a maior da história.
Além disso, empresas de Musk, como a SpaceX e a Tesla, têm enfrentado ao longo dos anos alegações relacionadas à segurança. Em 2023, reportagem da Reuters documentou pelo menos 600 acidentes de trabalho não divulgados anteriormente na SpaceX, incluindo esmagamentos, amputações, choques elétricos e uma morte. Na ocasião, funcionários atribuíram parte dos problemas a uma cultura de segurança permissiva; a SpaceX, porém, em documentos à Justiça e em outras ocasiões defendeu seu histórico e disse oferecer treinamento extensivo aos empregados.
O processo de Devin Kim e as alegações contra a xAI seguem em tramitação na Justiça da Califórnia.


