São Paulo, 9 de outubro de 2026 — As vendas brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos registraram alta de 524,3% em setembro de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, de acordo com levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
O aumento expressivo, contudo, não reverteu a queda no acumulado do ano: de janeiro a setembro as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 27,5 bilhões, redução de 6,5% ante igual período de 2025 — queda equivalente a US$ 1,9 bilhão, o menor valor para os nove primeiros meses do ano desde 2023.
Em setembro, as remessas brasileiras aos americanos alcançaram US$ 3,5 bilhões, alta de 31,9% sobre setembro de 2025. O crescimento mensal foi explicado tanto pelo avanço de 3,1% na quantidade exportada quanto pela elevação de 28% no preço médio das mercadorias exportadas.
A carne bovina figura entre os produtos isentos das sobretaxas aplicadas pelo governo do presidente Donald Trump, assim como café solúvel, mel orgânico e pescados como a tilápia. Entre os itens submetidos às tarifas adicionais, que variam entre 25% e 37,5% em alguns casos, houve recuperação em setembro, mas as perdas no acumulado do ano persistem.
No conjunto do ano, as vendas de carne bovina aos EUA cresceram 82,9%, somando US$ 1,72 bilhão entre janeiro e setembro. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) atribui a alta à combinação da cota adicional de importação iniciada em setembro e à restrição na oferta interna de gado nos Estados Unidos, decorrente da fase de baixa do ciclo pecuário americano.
O desempenho da carne contrasta com quedas registradas em outros produtos-chave: exportações de petróleo bruto aos EUA recuaram 35,8%, as de café não torrado diminuíram 20% e os produtos semiacabados de ferro caíram 4,3% no acumulado de janeiro a setembro.
Por setores, as vendas brasileiras ao mercado americano entre janeiro e setembro registraram retração de 17,8% na agropecuária, 32% na indústria extrativa e 1,2% na indústria de transformação. Excluindo-se os Estados Unidos, as exportações brasileiras cresceram no período: 8,9% na agropecuária, 21,2% na indústria extrativa e 6,3% na indústria de transformação.
Os produtos industrializados seguiram concentrando a maior parte das vendas aos EUA, representando 84,4% do total exportado entre janeiro e setembro, apesar da queda de 1,2% ser a primeira para o período desde 2020. Mesmo assim, os Estados Unidos mantiveram-se como principal destino dos industrializados brasileiros, à frente da União Europeia, da China e do Mercosul.
Entre os produtos sujeitos a tarifas adicionais, o valor exportado em setembro cresceu 28,1%, para US$ 1,46 bilhão. No grupo taxado entre 25% e 37,5%, as vendas em setembro subiram 27,8%, para US$ 466,5 milhões, mas no acumulado de 2026 essas exportações recuaram 25,4%, o que representa US$ 1,4 bilhão a menos.
Entre os dez produtos mais exportados aos EUA e sujeitos a tarifas de 25% ou 37,5%, nove apresentaram queda no acumulado do ano. Destaques das maiores retrações incluem madeira de coníferas (-50,6%), granitos trabalhados (-34,1%) e sebo bovino (-33,4%).
No sentido contrário, as importações brasileiras de produtos americanos voltaram a crescer em setembro pelo terceiro mês consecutivo: somaram US$ 4,43 bilhões, alta de 2,1% em relação a setembro de 2025. O avanço foi puxado por combustíveis, cujas compras aumentaram 108,5% em setembro. No acumulado de janeiro a setembro, as importações brasileiras de combustíveis totalizaram US$ 6,86 bilhões, alta de 68,5% ante o ano anterior.
Apesar da recuperação mensal, as importações totais dos Estados Unidos para o Brasil caíram 7,1% no acumulado do ano, somando US$ 31,8 bilhões. Com as importações superiores às exportações, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 4,3 bilhões com os EUA nos nove primeiros meses de 2026, 10,8% menor do que no mesmo período de 2025.
O setor bovino espera que a União Europeia reliste o Brasil ainda em 2026 e que as importações europeias sejam retomadas em 2027, embora representantes do bloco tenham sinalizado dificuldade em autorizar a retomada em prazo inferior a dois anos.
Fonte: G1


