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terça-feira, maio 19, 2026

Exportações de carne bovina batem recorde em 2026, mas dependência da China preocupa setor

As exportações brasileiras de carne bovina registraram novos recordes em 2026, impulsionadas pela demanda externa, valorização da arroba do boi gordo e preços internacionais em alta. Apesar dos números positivos, cresce a inquietação no setor devido à concentração das vendas na China e ao risco de ultrapassagem da cota que evita sobretaxação.

Segundo dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base nas informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC), as exportações de carne bovina e derivados somaram US$ 1,743 bilhão em abril, aumento de 28% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em volume, os embarques totalizaram 319,23 mil toneladas, alta de 4%.

No acumulado do primeiro quadrimestre, o setor obteve receitas de US$ 6,083 bilhões, avanço de 31% sobre o mesmo período de 2025, com volume exportado de 1,146 milhão de toneladas, crescimento de 9%.

A carne bovina in natura, que responde por cerca de 91% das vendas externas do segmento, movimentou US$ 5,552 bilhões entre janeiro e abril, elevação de 35% na comparação anual, com 952,74 mil toneladas embarcadas, alta de 15,43%.

O ponto de maior atenção é a concentração das compras chinesas. Conforme a Abrafrigo, a China respondeu por 44,3% da receita total das exportações brasileiras de carne bovina no primeiro quadrimestre de 2026. Para a carne in natura, a participação chinesa chegou a 48,5%.

Entre janeiro e abril, a China importou 461,1 mil toneladas da proteína brasileira, aumento de 19,4% ante o mesmo intervalo do ano anterior, e pagou US$ 2,693 bilhões, alta de 42,9%.

A Abrafrigo estima que cerca de 70% da cota chinesa de 1,106 milhão de toneladas já havia sido utilizada até abril, restando pouco mais de 330 mil toneladas livres da sobretaxa adicional de 55% aplicada sobre volumes excedentes. Mantido o ritmo de embarques, esse limite pode ser alcançado entre maio e junho, segundo a entidade.

O excesso de oferta direcionado inicialmente à China pode pressionar preços domésticos da arroba e reduzir margens do setor no segundo semestre. O mercado físico do boi gordo já registra sinais de cautela: a consultoria Safras & Mercado, por meio do analista Fernando Henrique Iglesias, apontou redução do ritmo de negociações em estados importantes.

Minas Gerais, Goiás e São Paulo mostram maior pressão de baixa nos preços em função da pior condição das pastagens e da postura mais cautelosa dos frigoríficos. Em Minas Gerais, a arroba do boi gordo está próxima de R$ 325,88, enquanto São Paulo registra médias em torno de R$ 343.

Outra preocupação é a perda de competitividade da carne bovina no mercado interno frente à carne de frango, mais barata para o consumidor em um cenário de renda comprimida e juros elevados.

No Triângulo Mineiro, região com forte presença de confinamentos, genética zebuína e frigoríficos voltados ao mercado internacional, cidades como Uberaba, Uberlândia, Ituiutaba, Frutal e Prata acompanham de perto a evolução das compras chinesas. Uma eventual desaceleração da demanda ou aumento de barreiras tarifárias pode afetar preços da arroba, ritmo de confinamento, investimentos e receitas em toda a cadeia regional.

Além das incertezas relacionadas à China, o setor monitora mudanças regulatórias na União Europeia, discussões tarifárias nos Estados Unidos e movimentos de diversificação das cadeias globais de proteína animal.

Fonte: Regionalzao

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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