Traços, rascunhos e objetos pessoais revelam rotina criativa
Rascunhos manuscritos, desenhos e anotações integram a exposição “Traçando Veríssimo”, que ocupa o Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, e busca mostrar como ideias do escritor e cartunista Luis Fernando Veríssimo eram desenvolvidas ao longo do tempo. A mostra é gratuita e reúne mais de 300 peças do acervo pessoal do autor.
Entre os itens expostos estão cadernos com esboços, charges publicadas em jornais e originais de livros. Parte do material traz frases registradas pelo próprio Veríssimo, como “A passa é a múmia da fruta”, além de aforismos e anotações do dia a dia que evidenciam a formação de enredos e personagens.
Autor de mais de 80 obras — entre elas “Comédias da Vida Privada” — e criador de personagens como o Analista de Bagé, Ed Mort e a família Brasil, Veríssimo teve carreira marcada pela combinação de leveza e humor refinado tanto na literatura quanto no desenho. Ele também publicou cartuns e charges em jornais ao longo das décadas.
A curadora Isa Pessoa organizou a mostra para expor as diferentes etapas do processo criativo durante cerca de 50 anos de trabalho do escritor. Segundo ela, os documentos exibidos vão desde anotações cotidianas até os primeiros traços que se tornaram personagens consolidados, permitindo ao público acompanhar a “pré-criação” do autor.
O acervo inclui ainda fotografias de homenagens recebidas por Veríssimo, como a realizada pela escola Imperatriz do Samba durante o Carnaval de Porto Alegre, quando ele desfilou em um carro alegórico. Há também uma flâmula do clube Internacional, pelo qual o escritor era conhecido por torcer e sobre o qual escreveu sua primeira crônica.
A montagem dedica espaço central às “Cobras”, personagens recorrentes nas tiras, e evidencia a escolha estética do autor por traços simples. A exposição exibe o último desenho feito por Veríssimo, datado de março de 2022, entregue à esposa Lúcia, além de fotos da infância e de registros ao lado do pai, o escritor Erico Veríssimo.
Uma réplica da poltrona vermelha da casa da família foi colocada na área dedicada ao jazz, acompanhada por discos da coleção do autor — que tocava saxofone e clarinete e, em sua juventude, cogitou seguir carreira como músico. Seu primeiro livro, “O Popular, crônicas ou coisa parecida”, foi publicado quando tinha 37 anos.
Veríssimo morreu em agosto do ano passado, aos 88 anos. A mostra abre espaço para lembrar a trajetória do cronista e cartunista que observou o cotidiano da classe média com humor e sagacidade, em frases como “a morte é uma sacanagem, sou totalmente contra”.
A exposição celebra o que seria o 90º aniversário do autor, em 26 de setembro, e permanece aberta ao público no Centro Cultural Fiesp.
Fonte: Uberlandianofoco


