A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) comunicou em 2 de setembro de 2026 que Benjamin Steinbruch deixará a função de presidente executivo e passará a presidir o Conselho de Administração. A empresa informou ainda que, a partir de 3 de setembro de 2026, Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale, assumirá o posto de presidente executivo da CSN.
Schvartsman retorna ao comando de uma das maiores companhias brasileiras sete anos após sair da presidência da Vale em meio às consequências do rompimento da barragem em Brumadinho (MG). A trajetória profissional do executivo inclui formação e pós-graduação em Engenharia de Produção pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Antes de chegar à Vale, Schvartsman construiu carreira em grandes empresas: trabalhou por dez anos na Duratex e permaneceu 22 anos no Grupo Ultra, onde foi sócio-diretor da Ultra S.A. e diretor financeiro da holding Ultrapar, deixando o grupo em 2007. Posteriormente, comandou a Telemar Participações e a San Antonio Internacional. Em 2011, assumiu a presidência da Klabin, empresa do setor de papel e celulose, cargo que ocupou até 2017.
Na Vale, Schvartsman tomou posse em 23 de maio de 2017, aos 63 anos, sucedendo Murilo Ferreira. Entre as medidas de sua gestão estavam a reorganização da empresa com foco em listagem no Novo Mercado da bolsa, aumento de investimentos em segurança de barragens e a reformulação do controle de riscos em parceria com a consultoria Deloitte. Durante seu mandato também foi adotada a diretriz conhecida como “Mariana nunca mais”, referência ao desastre da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 2015.
O período de Schvartsman na presidência da Vale foi interrompido pelo rompimento da Barragem I da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019, que resultou em 270 mortos e grandes danos ambientais. Cerca de um mês depois da tragédia, ele deixou a presidência da empresa, sendo sucedido por Eduardo Bartolomeo ainda em 2019. Em 28 de março de 2019, Schvartsman prestou depoimento à CPI do Senado sobre o desastre, afirmando que a Vale trabalhava com laudos de estabilidade de auditorias externas, que não dispunha de informações sobre risco iminente e que a empresa estava realizando pagamentos emergenciais aos atingidos.
No âmbito criminal, o Ministério Público Federal denunciou Schvartsman e outras 15 pessoas em janeiro de 2023, com a Justiça Federal aceitando a acusação que o tornou réu por homicídio duplamente qualificado com dolo eventual e por crimes ambientais. Em março de 2024, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região concedeu habeas corpus e determinou o trancamento das ações penais, decisão que foi objeto de recurso do MPF ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em abril de 2024, a Sexta Turma do STJ, por maioria, restabeleceu os processos. Em 7 de maio de 2024, a Justiça Federal reincluiu formalmente Schvartsman nas ações; seu processo foi desmembrado em uma ação exclusiva por homicídio e outra por crimes ambientais.
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