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quarta-feira, setembro 2, 2026

Festival Caju de Leitores, primeiro de literatura indígena do país, começa em Porto Seguro com programação gratuita

A quinta edição do festival Caju de Leitores, apontado como o primeiro evento dedicado à literatura indígena no Brasil, teve início nesta quarta-feira (2) na Oca Tururim, localizada na Aldeia Xandó, em Porto Seguro (BA). O local é identificado como espaço de preservação da cultura do povo Pataxó.

A programação segue até sexta-feira (4) e inclui rodas de conversa, sessões de contação de histórias, atividades educativas e apresentações culturais. Todas as atrações oferecidas ao público são gratuitas.

Entre as presenças confirmadas estão a indígena argentina Mariela Tulián, que marca a participação internacional do festival como a primeira latino-americana a integrar o evento; a escritora Vanessa Guarani Ratton, vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura; e Auritha Tabajara, escritora e contadora de histórias reconhecida como a primeira mulher indígena a publicar cordéis no Brasil.

O escritor e anfitrião Sairi Pataxó explicou que o Caju de Leitores surgiu em 2022 dentro da comunidade Pataxó do Xandó com a proposta de estimular a leitura, reunir autores indígenas de diferentes regiões do país e aproximar escolas da literatura. Nesta edição, o festival passou a contar também com participação internacional.

O tema escolhido para este ano é “Um Manifesto de Bichos”, que propõe reconhecer os animais como elementos presentes nas narrativas, nas lembranças e nos saberes transmitidos entre as gerações dos Pataxós. Sairi Pataxó ressaltou que a relação com os animais — incluindo cães e espécies tradicionalmente caçadas — faz parte de uma tradição milenar e da vivência do povo.

A curadora e coordenadora de produção, Alethea Costa, informou que a participação de alunos, escolas e professores cresce a cada edição. Segundo ela, algumas instituições de ensino já organizam atividades letivas com foco no festival. Ainda neste ano, a equipe realizou uma itinerância por escolas indígenas do município, levando parte da programação diretamente a esses espaços.

O festival também presta homenagem à anciã e liderança Pataxó Maria Coruja. Cantora, compositora, artesã e guardiã da memória de seu povo, Maria Coruja sobreviveu na infância ao episódio conhecido como Fogo 51 — uma ação violenta contra a população indígena Pataxó — e tornou-se referência no samba indígena.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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