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quinta-feira, setembro 17, 2026

Fim do home office altera mercado imobiliário de São Paulo; interior perde fôlego e capital registra recorde de escrituras

Quem e o que: O Colégio Notarial do Brasil (CNB/SP) divulgou levantamento indicando que a cidade de São Paulo registrou 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis em 2025, um volume 49,6% superior ao observado em 2020. Ao mesmo tempo, municípios que se destacaram durante a expansão do trabalho remoto mostram queda nas transações imobiliárias.

Quando e onde: As comparações se concentram no período entre 2021 e 2025 no estado de São Paulo, com destaque para o crescimento recorde da capital e a perda de ritmo em cidades do interior e do litoral que atraíram moradores no auge do home office.

Como e por que: Segundo Andrey Guimarães Duarte, vice-presidente do CNB/SP, a redução no número de escrituras em determinados municípios indica menor intensidade nas transações após um salto excepcional nos anos de expansão do trabalho remoto. “Queda no número de escrituras não é suficiente para entender que há uma saída massiva de moradores. Os dados mostram menor intensidade nas transações imobiliárias após um período de expansão excepcional”, afirmou. Para ele, o mercado entrou em uma nova etapa que não equivale a um simples retorno ao padrão pré-pandemia.

Cidades mais impactadas: Entre 2021 e 2025, destacam-se quedas nas escrituras em cidades associadas a condomínios fechados: Itupeva (-57%), Cotia (-41%), Indaiatuba (-36%), São João da Boa Vista (-32%), Atibaia (-31%), Peruíbe (-30%), Itu (-28%) e Itatiba (-28%).

Regiões e exceções: O CNB/SP aponta que, em 2021, todas as regiões do estado tiveram alta expressiva nas escrituras em relação a 2020 (entre 33% e 36%). Com a consolidação do retorno ao trabalho presencial ou híbrido, o interior turístico encerrou 2025 praticamente no mesmo patamar pré-pandemia (99,3%), enquanto o litoral permaneceu cerca de 20% acima de 2020, sem crescimento relevante desde 2023. Algumas cidades, porém, seguiram crescendo: Taboão da Serra (+73% entre 2021 e 2025), Bauru (+42%), Barueri (+26%), Paulínia (+19%) e Limeira (+14%).

Retorno ao escritório e impacto no dia a dia: Pesquisas citadas no levantamento apontam aumento da exigência de trabalho presencial. Um estudo da Robert Half indica que profissionais de construção civil e engenharia trabalham, em média, 4,8 dias por semana nos escritórios, enquanto no setor de serviços a média é de 3,3 dias. Pesquisa da WeWork com a Offerwise mostra que 63% dos profissionais trabalham presencialmente e que, para 79% deles, essa condição é determinada pela empresa. A plataforma Gupy registra avanço das vagas presenciais e híbridas sobre as totalmente remotas.

O retorno presencial tem implicações práticas para quem se mudou para cidades mais distantes: aumento de tempo no deslocamento, gastos com pedágios e transporte e menos tempo livre. Segundo a WeWork, 65% dos trabalhadores apontam o deslocamento como a principal desvantagem do trabalho presencial e 53% relatam aumento das despesas relacionadas à ida ao escritório. Beatriz Kawakami, gerente de negócios da WeWork Brasil, define esse efeito como um “custo silencioso”.

Empresas e decisões dos funcionários: O levantamento menciona casos em que empresas reduziram a flexibilidade, citando o anúncio do Nubank sobre o fim do modelo quase inteiramente remoto, com encontros trimestrais. Funcionários relataram que haviam mudado de cidade, comprado imóveis ou assumido novas responsabilidades familiares considerando a possibilidade de trabalhar à distância.

Motivações das empresas: Pesquisa da Robert Half aponta que organizações veem benefícios na presença física para fortalecer cultura (68%), melhorar comunicação e colaboração (63%), aumentar integração e supervisão (59%) e produtividade (50%); 34% mencionam orientação de lideranças globais. Ao mesmo tempo, 54% dos gestores avaliam que maior presencialidade eleva o risco de perda de talentos. Os levantamentos mostram divergência entre empresas e trabalhadores: 52% dos profissionais mudariam de emprego se reduzida a flexibilidade, e, segundo a WeWork, embora 63% trabalhem presencialmente hoje, apenas 42% escolheriam esse modelo se pudessem decidir livremente.

O conjunto de dados dos cartórios indica que a virada no mercado imobiliário paulista se intensificou a partir de 2022: enquanto a capital seguiu em trajetória de aceleração, muitos destinos do home office viram as transações desacelerarem ou retrocederem em relação ao período de expansão do trabalho remoto.

Fontes e leitura complementar: Matéria original: G1 – Fim do home office já muda mercado de imóveis e morar no interior perde força; veja cidades impactadas

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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