O Google acertou a compra dos arquivos internos da companhia aérea Spirit Airlines por US$ 10 milhões (R$ 51,7 milhões), valor que será destinado ao uso do material no treinamento de modelos de inteligência artificial da empresa, segundo reportagem da Forbes.
A Spirit, conhecida por oferecer passagens de baixo custo, encerrou as operações em maio após enfrentar preços elevados do combustível de aviação e uma dívida pesada. O conjunto de dados adquirido pelo Google inclui centenas de milhões de e-mails de funcionários, mensagens trocadas no Microsoft Teams, planilhas, registros de calendários e informações operacionais.
De acordo com a matéria, todo o conteúdo será anonimizado antes da transação. O montante oferecido pelo Google provocou uma disputa entre interessados: a startup de rotulagem de dados Mercor havia apresentado uma proposta de US$ 7,5 milhões (R$ 38,77 milhões), mas foi superada pela gigante de tecnologia.
Especialistas do setor têm destacado que dados corporativos passaram a ter grande valor para o treinamento de sistemas de IA porque, até o fim de 2024, os laboratórios já haviam indexado boa parte do conteúdo público disponível na internet. Documentos, códigos internos, conversas por e-mail e registros de plataformas de colaboração ajudam a compor cenários reais de funcionamento de empresas, tornando-se insumos úteis para alimentar modelos mais robustos.
Empresas que fecham as portas costumam deixar volumes consideráveis de informações digitais. Nesse contexto, surgiram startups especializadas em ajudar no encerramento de atividades e na comercialização desses acervos. Firmas como SimpleClosure e Sunset oferecem serviços de apoio ao processo de fechamento e também passaram a negociar dados deixados por operações encerradas para fins de treinamento em inteligência artificial.
O negócio entre Google e Spirit ilustra a crescente demanda por dados corporativos privados no mercado de IA, que tem atraído desde grandes grupos de tecnologia até startups de rotulagem e de serviços de encerramento empresarial. Segundo a reportagem, a anonimização dos arquivos será realizada antes da entrega à compradora.
Notícia baseada em reportagem da Forbes.


