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segunda-feira, setembro 21, 2026

Governo autoriza testes para elevar etanol na gasolina para 35%; veja peças que podem ser afetadas

O governo autorizou a realização de testes para aumentar a participação de etanol na gasolina comum de 32% para 35%. Embora ainda faltem etapas antes da adoção do novo percentual nos postos, a medida suscitou preocupação entre especialistas e mecânicos sobre possíveis efeitos em veículos projetados exclusivamente para gasolina.

Profissionais consultados afirmam que os automóveis antigos, principalmente os que não têm sistemas de gestão eletrônica atualizados, tendem a sofrer com maior intensidade. No entanto, veículos mais novos também podem apresentar problemas como aumento do consumo e redução da autonomia, em função do menor poder energético da mistura com mais etanol.

Por que aumenta o risco

Segundo Tenório Júnior, técnico e professor de mecânica automotiva, quanto maior a porcentagem de etanol, mais difícil fica obter a queima ideal em motores cuja taxa de compressão e temperatura de operação foram pensadas para gasolina. Essa incompatibilidade pode provocar falhas de combustão, perda de potência e dificuldades de partida a frio. Ele ressalta que os problemas já observados com a mistura atual tendem a se intensificar com E35.

Peças e sistemas mais vulneráveis

Carburador: presente em carros antigos, o carburador não se ajusta automaticamente à nova composição do combustível. A passagem fixa de ar e combustível torna o componente propenso a mau funcionamento e, segundo o mecânico Bruno Bandeira, pode sofrer corrosão com maior concentração de etanol, comprometendo seu funcionamento.

Tanque de combustível: veículos com tanques metálicos antigos podem ter risco de corrosão e necessitar de substituição. Tanques plásticos, mais comuns em modelos fabricados desde o início dos anos 2000, apresentam menor preocupação, conforme relatos dos profissionais ouvidos.

Bomba de combustível e boia: o etanol na gasolina pode conter até 0,7% de água e tende a absorver umidade se o carro ficar parado por longos períodos. Alexandre Dias, mecânico e proprietário das oficinas Guia Norte, explica que a presença de água acelera a corrosão da bomba, além de poder prejudicar a boia que indica o nível do tanque.

Bicos injetores: em veículos sem turbocompressor, a central eletrônica pode aumentar o tempo de injeção para compensar o menor conteúdo energético do E35. Se os bicos estiverem parcialmente sujos, esse ajuste pode evidenciar falhas de injeção, resultando em funcionamento irregular ou marcha lenta instável.

Velas de ignição: o desgaste pré-existente das velas pode se agravar com a nova mistura, contribuindo para falhas na queima do combustível, já que o motor passa a exigir regulagens mais precisas.

Catalisador: recebe maior desgaste caso chegue ao sistema combustível não queimado por causa de mistura inadequada, reduzindo sua vida útil.

Mangueiras, retentores e vedações: em carros mais antigos, esses componentes tendem a ressecar e deteriorar-se mais rapidamente diante da maior presença de etanol.

Possíveis soluções

Para veículos com injeção eletrônica, atualizações na unidade de controle (ECU) podem ajustar a gestão do motor à nova proporção de etanol. Manutenção preventiva e limpeza de componentes citados também ajudam a mitigar riscos. Em carros com carburador, adaptações são possíveis, porém complexas: é necessário substituir e ajustar giclês e realizar testes sucessivos, já que não existe uma tabela universal de aplicações para E35.

Enquanto os testes avançam e as decisões regulatórias são tomadas, especialistas recomendam atenção redobrada à manutenção de veículos a gasolina para reduzir impactos potenciais da mudança na mistura.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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