Governo pretende usar sessão para constranger aliados de Flávio Bolsonaro
O governo federal informou que pretende aproveitar o início das discussões da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no serviço público para revelar como aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vão se posicionar. A primeira das cinco sessões de debate começou na terça-feira, 6 de outubro de 2026, no Senado.
Logo após reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou: “Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra. Eu estou pagando pra ver, pra ver essa atitude que eles puderem tomar”. O objetivo dos governistas é pressionar para que os parlamentares deixem claro o voto sobre a proposta.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que existe um acordo do governo para levar a PEC à votação, mas afirmou que é preciso conhecer a posição do “candidato a presidente Flávio”. Lideranças da base afirmam que pretendem votar, mas reconhecem dificuldades políticas decorrentes da recomposição do Congresso após as eleições.
Obstrução e estratégia da oposição
Senadores de oposição classificaram a PEC como uma “medida eleitoreira” e orientaram a obstrução da sessão, buscando impedir a formação de quórum. A sessão foi aberta com 47 senadores presentes, sem registro inicial de senadores do PL; posteriormente, o senador Efraim Filho (PL-PB) registrou presença.
Parlamentares do PL e aliados de Flávio Bolsonaro têm defendido outra proposta, elaborada por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha de Flávio, que foi contrário à PEC quando o texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em setembro. A alternativa do PL prevê a possibilidade de redução da jornada mediante acordo com o empregador, com redução proporcional do salário.
Questionado nesta terça-feira sobre a iniciativa do governo, Flávio Bolsonaro reafirmou que apoia a proposta alternativa: “Eu tenho uma proposta infinitamente melhor que é dar liberdade para o trabalhador negociar sua carga horária. Vamos dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada conforme as suas possibilidades”, declarou.
Rito, prazos e cenário político
Segundo o governo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, comprometeu-se a levar a proposta a voto antes do segundo turno. A expectativa é que Alcolumbre presida as sessões, postura interpretada por aliados como uma concessão ao Executivo. Apesar disso, senadores governistas admitem que a correlação de forças na Casa mudou após as eleições, com maior força da direita, o que torna incerta a aprovação.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou: “Vamos tentar”. Nos corredores do Congresso, interlocutores observam que a pressão das urnas diminui após a eleição, e que haverá debates sobre se a PEC terá apoio suficiente para avançar até a votação final.
Houve ainda manifestações públicas contra a escala 6×1, como registro de protestos na Avenida Paulista. Para mais informações, consulte a matéria original no G1: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/06/fim-da-escala-6×1-governo-quer-expor-posicionamento-de-aliados-de-flavio-e-oposicao-planeja-estrategia.ghtml


