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quarta-feira, setembro 23, 2026

Governo calcula que 47,3% das exportações brasileiras são afetadas por tarifas dos EUA

O governo federal estima que 47,3% das exportações brasileiras estão sujeitas a tarifas impostas pelos Estados Unidos, segundo balanço divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). O percentual considera três medidas adotadas por Washington: a tarifa de 12,5% anunciada em 23 de julho de 2026, a sobretaxa de 25% confirmada na semana anterior e a elevação aplicada sobre aço e alumínio no ano passado.

Ao analisar apenas as novas taxas (12,5% e 25%), o MDIC aponta que essas medidas atingem 23,1% das exportações do país, enquanto 52,7% das vendas ao exterior permanecem sem tarifas setoriais ou específicas adicionais contra o Brasil.

O ministério detalha a composição desse impacto: 4,7% das exportações são alcançadas exclusivamente pela sobretaxa de 12,5% — entre elas, obras de pedra, gesso e matérias semelhantes; minérios; óleos essenciais e produtos de perfumaria; e pescados. 1,9% das exportações são atingidas apenas pela sobretaxa de 25%, com exemplos como o açúcar. Outros 16,5% das vendas brasileiras ao mercado americano estão sujeitas simultaneamente às duas medidas, o que implica uma sobretaxa acumulada de 37,5% para produtos como máquinas e equipamentos, diversos tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Os Estados Unidos anunciaram a imposição da tarifa de 12,5% a cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, alegando falha desses países em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A tarifa entrou em vigor em 24 de julho de 2026. Na semana anterior, Washington havia confirmado a aplicação de uma cobrança adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. Em junho do ano passado, o governo norte-americano também elevou para 50% as taxas sobre aço e alumínio, decisão tomada com base na Seção 232.

Segundo o MDIC, no primeiro semestre de 2026 as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025. As importações de origem americana também recuaram, reduzindo em 12,8% a corrente de comércio bilateral.

O governo brasileiro classificou o novo conjunto de tarifas como “completamente arbitrário e injustificado” e anunciou que iniciará imediatamente os trâmites previstos na Lei de Reciprocidade e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). A Lei de Reciprocidade permite aplicar medidas equivalentes quando um país sofre sanções ou barreiras unilaterais, mas seu uso demanda rito formal — como consultas públicas e prazos de análise — antes da adoção de contramedidas. Entidades do setor privado, por sua vez, defenderam que o Brasil priorize a negociação em vez da retaliação, para evitar escalada nas tensões comerciais com a administração de Donald Trump.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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