Brasília, 15 de julho de 2026 — O governo federal anunciou nesta quarta-feira a revisão da estimativa da inflação oficial para 2026, passando de 4,5% para 5,1%, segundo o “Boletim Macrofiscal” divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. Com a nova projeção, a taxa prevista ultrapassa o teto da meta estabelecida pelo sistema de meta contínua.
Desde o início de 2025 o regime de metas de inflação tem meta central de 3,0%, com intervalo de tolerância entre 1,50% e 4,50%. A elevação da projeção reflete, na avaliação da equipe econômica, pressões persistentes sobre os preços, com destaque para os alimentos, além dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre a economia internacional.
A pasta informou que, apesar de o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter apresentado desaceleração em junho, os alimentos seguiram como principal componente que puxa a inflação acumulada no ano. Indicadores dessazonalizados continuam acima dos níveis históricos, o que mantém o cenário de inflação mais elevada no curto prazo.
O relatório da Fazenda ressalta ainda que, embora as cotações do petróleo tenham mostrado alívio recentemente, isso não é suficiente para garantir a estabilização dos preços. O ministério apontou riscos de alta que não foram incorporados nas projeções, entre os quais a fragilidade do cessar-fogo no Oriente Médio, a possibilidade de aumentos de demanda para recomposição de estoques e os danos à infraestrutura na região, fatores que podem elevar os preços do petróleo.
Outros elementos citados como potenciais vetores de pressão sobre a inflação incluem espaço para repasses dos preços do atacado ao varejo, que pode elevar custos de bens industriais, e a maior probabilidade de um evento El Niño mais intenso. A Secretaria de Política Econômica observou que, embora o fenômeno climático deva impactar principalmente a safra de 2027, ele já pode exercer influência sobre os preços dos alimentos em 2026.
O boletim também manteve em 2,3% a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, mesma taxa registrada em 2025. A avaliação da equipe econômica apontou que indicadores coincidentes seguiram majoritariamente positivos no início do segundo trimestre, sem sinais de perda generalizada de tração. Na comparação trimestral com ajuste sazonal, o IBC-Br avançou 1,2% no trimestre encerrado em abril de 2026, impulsionado principalmente pela indústria, que registrou aceleração na leitura trimestral até maio, apesar de recuo na margem em caráter mensal naquele mês.
Esta reportagem está em atualização.
Fonte: G1


