O governo federal anunciou, na quarta-feira (29), um plano nacional de R$ 1,335 bilhão com medidas preventivas para reduzir os efeitos do fenômeno climático El Niño, que deve afetar diferentes regiões do país, entre elas Minas Gerais. A iniciativa foi divulgada um dia após um tornado provocar danos no Rio Grande do Sul.
Na terça-feira (28), um tornado causou destelhamentos e deixou pelo menos quatro pessoas feridas em municípios gaúchos, entre eles Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho. Especialistas consultados vinculam, de forma indireta, o episódio ao El Niño, por conta da intensificação da circulação de ar quente e úmido que pode favorecer condições atmosféricas severas.
O plano anunciado contempla ações nas áreas de segurança alimentar, saúde, monitoramento hidrológico e combate a incêndios florestais. A proposta prevê mapeamento de áreas vulneráveis e a elaboração de estratégias de prevenção em parceria com estados e municípios, com foco em preparação antecipada para os possíveis impactos climáticos.
Do total previsto, R$ 998 milhões serão destinados à segurança alimentar e à assistência em saúde, enquanto R$ 25 milhões foram previstos especificamente para o monitoramento dos níveis dos rios. Segundo o especialista William Borges, é preciso também investimento contínuo em infraestrutura, como a ampliação da rede de radares e de sistemas de alerta, para aprimorar a resposta a eventos extremos.
No Triângulo Mineiro, estimativas apontam para intensificação dos efeitos entre agosto e setembro, com temperaturas acima da média e aumento do risco de incêndios e de prejuízos à agricultura. Borges alerta ainda para a irregularidade das chuvas na primavera, que pode elevar a chance de tempestades mais intensas e trazer dificuldades adicionais para produtores e gestores locais.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, condição que altera padrões climáticos em diversas regiões do globo. A previsão das autoridades climáticas indica que o fenômeno pode permanecer ativo até 2027, com potencial para provocar eventos climáticos extremos em várias partes do Brasil.
O plano federal visa, portanto, reduzir vulnerabilidades e fortalecer a coordenação entre esferas de governo diante do risco de impactos associados ao El Niño.
Fonte: Uberlandianofoco


