Huawei apresenta método para avançar no projeto de chips mesmo com restrições comerciais
A Huawei afirmou neste domingo, 24 de maio (já segunda-feira, 25, em Xangai), que espera projetar chips de última geração com densidade de transistores equivalente a processos de 1,4 nanômetro até 2031, apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos que dificultam o acesso a equipamentos de fabricação.
O anúncio foi feito por He Tingbo, presidente da divisão de semicondutores da Huawei e diretora do comitê científico da empresa, durante o Simpósio Internacional IEEE sobre Circuitos e Sistemas (ISCAS) de 2026, em Xangai. He apresentou o conceito que a companhia chama de “Lei de Escalonamento Tau” (Tau Scaling Law) em um discurso intitulado “Novo Caminho dos Semicondutores na Prática”.
Segundo a Huawei, a Lei de Escalonamento Tau foca em reduzir o tempo de deslocamento de sinais e dados dentro de chips e em sistemas computacionais. A empresa afirma que, se o princípio for aplicado com sucesso, será possível aumentar desempenho e densidade dos circuitos mesmo sem depender exclusivamente da redução física do tamanho dos transistores.
Como parte dessa abordagem, a Huawei informou que adotará uma arquitetura chamada LogicFolding em seus chips Kirin previstos para lançamento no segundo semestre de 2026. A companhia diz que essa arquitetura diminui o comprimento das conexões internas dos chips e melhora o desempenho. A empresa também declarou ter projetado e produzido em massa 381 chips nos últimos seis anos com base na Lei de Escalonamento Tau, destinados a aplicações em smartphones e em computação para inteligência artificial.
As restrições dos Estados Unidos contra a Huawei começaram em 2019, quando Washington alegou riscos de espionagem vinculados à empresa e aplicou limitações de acesso a ferramentas avançadas de litografia e outras tecnologias-chave do setor de semicondutores. Naquele ano, o Google suspendeu acordos com a Huawei. Em resposta às sanções, a companhia chinesa desenvolveu tecnologias próprias, entre elas um sistema operacional para seus celulares.
Em divulgação recente de resultados, a Huawei Technologies registrou receita de US$ 127,5 bilhões em 2025, crescimento de 2,2% no ano, impulsionado principalmente por infraestrutura de rede e dispositivos de consumo. O avanço representa desaceleração em relação ao crescimento de 22,4% observado em 2024 e configura a segunda maior receita anual da empresa, atrás dos US$ 128,9 bilhões de 2020. O lucro líquido subiu 8,6%, para US$ 9,8 bilhões.
Legenda da imagem original: Estande da Huawei na World Artificial Intelligence Conference em Xangai, China, em julho de 2025 (REUTERS/Go Nakamura)


