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quinta-feira, setembro 24, 2026

IBGE vai estimar mercado de drogas ilícitas no cálculo do PIB a partir da revisão das Contas Nacionais

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prepara a inclusão de uma estimativa sobre a comercialização de drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. A mudança faz parte da revisão periódica do Sistema de Contas Nacionais (SCN) e tem previsão de apresentar os primeiros resultados da nova metodologia em 2028.

O instituto ressalta que essa incorporação não significa legalização do tráfico nem a medição de crimes de forma ampla. O objetivo é contabilizar uma atividade econômica que movimenta recursos, evitando que parte da produção, da renda e dos gastos do país fique fora das estatísticas oficiais.

Por que incluir atividades ilegais nas contas?

As regras internacionais que orientam as Contas Nacionais não excluem operações simplesmente por serem proibidas. Quando existe uma transação voluntária entre comprador e vendedor, ela pode ser registrada nas contas. Segundo manuais consultados pelo IBGE — como o System of National Accounts (SNA), da ONU, e o “Handbook on the compilation of statistics on illegal economic activities in national accounts and balance of payments” — omitir essas operações pode gerar distorções, como superestimativa da poupança das famílias, já que gastos com bens ilegais deixariam de ser computados.

O IBGE iniciou discussões sobre como estimar esse mercado em 2019 e realizou uma primeira estimativa-teste em 2021. Desde então, os estudos e testes metodológicos continuam. A revisão estrutural das Contas Nacionais é um processo que o instituto realiza aproximadamente a cada 10 anos.

Experiência internacional

O texto cita experiências anteriores de outros países: o Reino Unido passou a incluir estimativas sobre drogas ilícitas em suas Contas Nacionais em 2014. França, Alemanha, Suécia, Holanda, Itália, Espanha e Hungria também adotam a metodologia europeia para incorporar atividades ilegais nas estatísticas nacionais.

Como será feito o cálculo

A metodologia proposta não se baseia apenas na quantidade de drogas apreendidas. As recomendações internacionais orientam começar pelo lado da demanda, estimando quanto é consumido por meio de pesquisas e outras estatísticas disponíveis. De forma simplificada, a estimativa parte de três elementos: número de usuários × consumo médio por usuário × preço de venda, resultando no gasto total dos consumidores.

Depois, o cálculo deve avaliar como esse consumo é abastecido — quanto provém de produção nacional e quanto corresponde a importações ilegais — e estimar os custos envolvidos na atividade. Esses passos permitem calcular o Valor Adicionado Bruto (VAB), que representa o quanto a atividade acrescenta à economia após descontados os insumos utilizados.

O IBGE informou em nota que incluirá a comercialização de drogas ilícitas no cálculo do PIB. Os materiais internacionais nos quais o instituto se baseia tratam de três tipos de atividades ilícitas — drogas, prostituição e contrabando —, mas o IBGE não detalhou se a inclusão se limitará apenas às drogas ou se abrangerá também as outras duas atividades.

O processo de desenvolvimento metodológico segue em testes e estudos até a divulgação dos primeiros resultados previstos para 2028.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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