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domingo, outubro 11, 2026

Indústria do lítio no Brasil pode multiplicar valor da produção e enfrenta desafios regulatórios, dizem executivos

Executivos do setor afirmaram, durante a Conferência de CEOs do Lithium Business 2026 em Salinas (MG), que o Brasil tem condições para transformar sua vantagem geológica em maior participação na cadeia global do lítio, mas precisa avançar em segurança jurídica, políticas públicas e agregação de valor. Participantes destacaram ainda que a produção nacional chega a multiplicar por mais de cinquenta vezes o valor do minério extraído antes da venda.

Quem, onde e quando

O debate ocorreu na Conferência de CEOs do Lithium Business 2026, realizada em Salinas, Minas Gerais. Entre os participantes estavam representantes da Sigma Lithium, CBL, Benchmark Mineral Intelligence, PLS Brasil e AMG Brasil, que analisaram competitividade, demanda e entraves regulatórios para o setor no país.

O que foi dito sobre competitividade e qualidade

Executivos afirmaram que o Brasil reúne fatores favoráveis, como boa base geológica, projetos de qualidade, matriz energética renovável e custos de produção competitivos. Frederick Gay, da Benchmark Mineral Intelligence, apontou que a indústria do lítio atravessa uma nova etapa, buscando equilíbrio entre oferta e demanda, inovação e sustentabilidade após período de volatilidade.

Daniel Abdo, vice‑presidente de Relações Internacionais e Desenvolvimento de Negócios da Sigma Lithium, ressaltou que o mercado voltou a priorizar fundamentos sólidos: qualidade dos recursos, eficiência operacional, disciplina financeira e consistência na entrega. Ele destacou que compradores exigem rastreabilidade e confiabilidade e que a sustentabilidade precisa ser demonstrada com indicadores e dados ambientais consistentes.

Volume projetado e agregação de valor

Vinícius Alvarenga, CEO da CBL, disse que o Brasil figura entre os países com menores custos de produção e que os projetos instalados são economicamente sustentáveis. Ele estimou que a produção nacional de concentrado de lítio pode alcançar entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas por ano nos próximos cinco a dez anos. Alvarenga também defendeu separar a discussão sobre mineração da discussão sobre verticalização da cadeia, argumentando que a produção de concentrado agrega muito mais valor do que costuma ser reconhecido.

Riscos regulatórios e necessidade de políticas públicas

Embora reconheçam avanços no Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos (PL 2.780), os executivos alertaram para dispositivos que podem aumentar a incerteza para investidores. Marisa Cesar, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS Brasil, afirmou que o projeto traz incentivos fiscais e mecanismos de descarbonização, mas apontou riscos de previsibilidade jurídica que ainda precisam ser resolvidos para atrair capital e viabilizar a verticalização industrial.

Fabiano Costa, presidente da AMG Brasil, disse que o país tem know‑how, capacidade técnica e mão de obra para agregar valor, mas que a demanda é fator decisivo para justificar investimentos. Ele lembrou que a grande capacidade ociosa de processamento na China representa obstáculo para instalação de plantas em outros mercados.

Cooperação local e licença social

Os participantes defenderam cooperação entre empresas instaladas no Vale do Jequitinhonha para reduzir custos, atrair fornecedores e desenvolver a economia regional. Também ressaltaram a importância da licença social e do diálogo com comunidades para o sucesso dos projetos.

Ao final, os executivos mantiveram perspectiva otimista sobre o futuro da indústria de lítio no Brasil, destacando a combinação de recursos de qualidade, matriz energética limpa e projetos com escala industrial como fatores que colocam o país em posição favorável para os próximos anos.

Fonte: Gazetadotriangulo

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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