O governo do Irã informou neste domingo (2) que está próximo de concluir um acordo com Omã para estabelecer uma nova rota de trânsito de navios comerciais no Estreito de Ormuz, região estratégica afetada pela atual crise no Oriente Médio.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaïl Baghaei, afirmou à televisão estatal que as negociações avançaram e que as partes estão prestes a concordar com “uma rota aceitável para ambas as partes — nem a rota norte, nem a rota sul —, respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança”.
Baghaei não detalhou os termos do eventual acordo e disse ainda que, caso o tratado seja assinado, “isso não significará que Ormuz esteja sendo fechado ou reaberto”.
O anúncio do Irã ocorreu horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter divulgado que cancelou ataques em larga escala planejados contra o país neste fim de semana, mencionando que os “termos do acordo” haviam sido definidos. A declaração de Trump foi relacionada a um possível avanço nas negociações destinadas a encerrar a guerra no Oriente Médio, conflito que já dura cinco meses.
Teerã, porém, negou ter solicitado a Trump que suspendesse ataques em seu território e afirmou que as conversas em que está envolvido se limitam às negociações com Omã sobre a gestão da passagem de Ormuz. Até a última atualização desta reportagem, não havia clareza sobre se existe qualquer ligação — e qual seria ela — entre as negociações citadas por Trump e as tratativas entre Irã e Omã.
O Irã reivindica soberania sobre o Estreito de Ormuz, via marítima crucial para o comércio mundial de petróleo. Desde o final de fevereiro, o país manteve a rota fechada a navios comerciais devido ao conflito com os Estados Unidos. Após a assinatura de um acordo de paz preliminar entre Teerã e Washington, em junho, o Irã passou a negociar com Omã uma gestão compartilhada do estreito.
Os Estados Unidos se opõem à ideia de gestão compartilhada e defendem que a passagem permaneça aberta de forma irrestrita, sem que nenhum país exerça soberania sobre a via.


