O Irã deve ingressar em breve como membro do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira criada pelos países fundadores do Brics, afirmou nesta quarta-feira (12) o presidente do banco central iraniano, Abdolnaser Hemmati. A informação foi divulgada à Reuters, segundo o próprio Hemmati.
Com sede em Xangai, na China, o Novo Banco de Desenvolvimento tem entre suas áreas de atuação financiamentos para transporte, energia, saneamento e outras iniciativas de infraestrutura. Atualmente, a presidência do NDB é ocupada pela ex-presidente brasileira Dilma Rousseff.
O interesse do Irã em integrar o banco ocorre após sua entrada formal no Brics, em 2024. Desde então, Teerã vinha manifestando a intenção de tornar-se acionista e membro do NDB, movimento que pode ampliar suas alternativas de financiamento diante das amplas sanções impostas pelos Estados Unidos e das restrições ao acesso ao sistema financeiro internacional.
A possível adesão do Irã ao NDB acontece em um momento de tensão dentro do Brics. A ampliação do grupo aumentou sua representatividade, mas também tornou mais complexa a construção de posições comuns em relação a conflitos internacionais. Em março deste ano, a escalada de conflitos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel expôs divergências: Brasil, Rússia e China condenaram a ofensiva contra o Irã, enquanto Índia e Emirados Árabes Unidos adotaram posturas mais críticas às retaliações iranianas na região do Golfo, situação que impediu uma declaração conjunta do bloco.
O contraste foi notado em 2025, quando, durante a presidência rotativa do Brasil, os dez países do Brics publicaram uma declaração conjunta sobre a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, condenando os ataques e defendendo o diálogo.
Hemmati participa, nesta semana, de uma reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais dos países do Brics realizada na Índia, que detém a presidência rotativa do grupo neste ano.


