Itália passa a ser destino procurado por pessoas de alto patrimônio devido a vantagens tributárias
A Itália tem ganhado interesse de indivíduos muito ricos de diversos países, especialmente do Oriente Médio, em parte em função de instabilidades provocadas pela guerra no Golfo e também por um conjunto de benefícios fiscais destinados a novos residentes.
O fenômeno não é novo: no passado o governo italiano já foi alvo de críticas da França por atrair contribuições fiscais de cidadãos franceses. Hoje, porém, atraem-se aposentados e ex-executivos, além de investidores que buscam redução na carga tributária.
Um exemplo citado é o de Robert (nome alterado), cidadão francês que viveu em Paris e, há oito anos, mudou-se para Roma após vender sua empresa de tecnologia. Ele afirma que motivos culturais — beleza, arte e música — pesaram na decisão, mas destaca também as vantagens fiscais: na Itália, residentes com alto patrimônio podem pagar um imposto anual fixo sobre toda a renda obtida no exterior, independentemente do montante, e usufruir de outras isenções.
Robert compara os custos de morar na França e na Itália. Na França, compradores de imóvel enfrentam os chamados “frais de notaire”, cuja maior parte reverte para o tesouro público; na Itália, há isenção para quem adquire a primeira residência. Além disso, enquanto a França transformou o Impôt sur la Fortune em imposto sobre o patrimônio imobiliário — onerando fortemente quem detém imóveis de alto valor — a Itália não tem imposto equivalente.
Outro ponto mencionado é o imposto territorial francês (taxe foncière), que, segundo Robert, não existe para residência principal na Itália, embora haja cobrança significativa pela coleta de lixo. Em relação ao imposto sobre herança, a Itália prevê isenção para imóveis avaliados em até 1 milhão de euros (R$ 5,9 milhões) e, acima desse valor, alíquota de 4%. Na França, a isenção é limitada a 100 mil euros (R$ 590 mil) e a tributação sobe progressivamente até 45%.
As regras italianas de imposto fixo têm limites definidos pelas autoridades fiscais: atualmente o valor máximo do imposto de renda aplicável a novos residentes é 300 mil euros (R$ 1,7 milhão) por ano; anteriormente esse teto foi de 200 mil euros (R$ 1,1 milhão) e, antes disso, de 100 mil euros (R$ 590 mil). Profissionais que hoje pagam mais de 1 milhão de euros anuais em imposto em outros países podem considerar a Itália mais vantajosa.
Especialistas consultados confirmam o interesse crescente. Peter Ferrigno, diretor de Serviços Tributários da Henley & Partners, afirma que a alíquota fixa de 300 mil euros é atraente para quem aufere mais de 1 milhão de euros por ano e que há demanda por consultas semanais de pessoas dispostas a sair da França. Em Paris, o advogado tributarista Jérôme Barre relata que muitos franceses questionam a carga tributária atual e temem agravamento futuro com as eleições de 2027, o que os leva a procurar alternativas.
Barre ressalta, porém, que no momento predominam perguntas e planejamento: mudar exige compromisso total, planejamento cuidadoso e, para empresários, relocalizar a sede da empresa — além de enfrentar possível imposto de saída na França. No caso de cidadãos dos EUA, o advogado lembra que a obrigação de tributar renda mundial torna a mudança para a Itália ineficaz para reduzir a carga fiscal desses contribuintes.
Em países do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos, a decisão é ainda mais complexa. Quem já vive num regime sem tributação tem dificuldade em aceitar voltar a um país com impostos elevados, tanto pelo impacto no montante disponível quanto pela adaptação a obrigações administrativas e declarações fiscais.
Para mais informações, consulte a matéria original no G1: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/05/16/por-que-a-italia-esta-se-tornando-atraente-para-os-ultrarricos.ghtml


