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quarta-feira, setembro 23, 2026

Jovens passaram a rejeitar cargos de gestão; motivos incluem insegurança financeira e busca por qualidade de vida

Resumo

Pesquisas internacionais e estudos realizados no Brasil indicam que profissionais mais jovens têm menos interesse em ocupar posições de liderança. Fatores como aumento da sensação de insegurança financeira, busca por equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e mudanças nas expectativas sobre sucesso profissional explicam a tendência, segundo especialistas e levantamentos citados.

O que mostram as pesquisas

O levantamento da consultoria Deloitte, de 2025, aponta que apenas 6% dos entrevistados da Geração Z (1995–2010) e dos millennials (1978–1994) consideram a chegada a um cargo de chefia como objetivo profissional principal. Ao mesmo tempo, o estudo registra aumento significativo na sensação de vulnerabilidade financeira: 48% da Geração Z e 46% dos millennials afirmaram não se sentir financeiramente seguros, porcentuais que subiram em relação a 2024, quando eram 30% e 32%, respectivamente.

Levantamento nacional e perspectiva acadêmica

No Brasil, a professora e pesquisadora Lina Nakata, da FIA Business School e autora do estudo Lugares Incríveis para Trabalhar, observa que os jovens têm 32% menos probabilidade de desejar cargos de liderança em comparação com a média dos profissionais, conforme dados do primeiro semestre deste ano. Entre os entrevistados de 18 a 22 anos, 15% consideram liderar uma prioridade; entre os de 33 a 39 anos, esse percentual sobe para 23%.

Condições para aceitar liderança

Nakata afirma que a recusa a cargos de gestão não equivale a ausência de ambição, mas a uma redefinição dos critérios de sucesso. Para muitos jovens, a liderança passa a ser desejada apenas se houver identificação com a organização e coerência entre discursos institucionais e práticas internas. A pesquisadora ressalta que essa crítica já foi dirigida a gerações anteriores quando chegaram ao mercado de trabalho.

Motivações individuais

O social media Mateus Araújo, de 28 anos, recusou promoção para coordenar sua equipe ao avaliar que as responsabilidades exigidas não correspondiam ao seu perfil. Ele citou como motivos a preservação da rotina, a previsibilidade das atividades, a flexibilidade para trabalhos como freelancer e a prioridade por estabilidade e qualidade de vida. Ainda assim, não exclui a possibilidade de aceitar uma posição de liderança no futuro.

Impactos da longevidade e do mercado

A expectativa de vida mais alta também influencia escolhas de carreira: a Deloitte identificou que cerca de 40% da Geração Z e dos millennials se preocupam em não conseguir se aposentar com conforto financeiro. Com a perspectiva de trabalhar por mais tempo, qualidade de vida e equilíbrio se tornam critérios relevantes desde o início da trajetória profissional.

Remuneração, propósito e trajetórias horizontais

Outro ponto considerado pelos jovens é o cálculo entre responsabilidades e benefícios. Para muitos, as maiores demandas de um cargo de gestão não compensam financeiramente em relação à posição de base. Dados da Deloitte mostram que propósito é importante para a satisfação no trabalho para 89% da Geração Z e 92% dos millennials. A evolução de carreiras mais horizontais, com novas especializações, também favorece trajetórias sem subida hierárquica tradicional.

Consequências para empresas

Especialistas entrevistados defendem que as organizações precisam adaptar planos de carreira e estratégias de retenção, demonstrando de forma prática o valor da liderança para que jovens se interessem por cargos de gestão. Segundo Nakata, benefícios, qualidade de vida e alinhamento de valores ganham peso na atração desses profissionais.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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