Venda da parceria entre Swatch e Audemars Piguet gerou filas, confrontos e intervenções policiais
A coleção Royal Pop — resultado da colaboração entre a Swatch e a marca de luxo Audemars Piguet (AP) — iniciou vendas no sábado (16) em lojas selecionadas e provocou grande aglomeração em pontos de venda ao redor do mundo. O lançamento, com oito modelos disponíveis, levou algumas lojas a serem temporariamente fechadas e obrigou policiais e seguranças a intervir em episódios de desordem.
A Swatch colocou como regra a venda de apenas um relógio por pessoa, ao preço de US$ 448 (R$ 2,2 mil), e lançou a coleção após meses de campanha online. Especialistas ouvidas pela imprensa disseram que a estratégia de divulgação explorou o apelo por exclusividade, novidade e colaborações entre marcas. A especialista em varejo Catherine Shuttleworth afirmou à BBC que “o hype funcionou”, observando que consumidores pagam uma fração do custo usual de um produto da AP. A crítica e podcaster Britt Pearce classificou essa modalidade como “um fenômeno passageiro, mas um fenômeno passageiro muito empolgante”, ao mesmo tempo em que questionou a criação de situações potencialmente perigosas.
No Reino Unido, várias filiais da Swatch fecharam depois que centenas de pessoas formaram filas e a polícia foi chamada; houve relatos de comportamento ameaçador e ao menos uma prisão. Confrontos também foram registrados em cidades como Amsterdã e Milão, além de incidentes em países da Ásia e do Oriente Médio. Segundo a Reuters, policiais dispararam gás lacrimogêneo para controlar cerca de 300 pessoas próximas a uma loja da Swatch nos arredores de Paris, e quatro pessoas relataram agressões em Lille, no norte da França. Em Nova York, houve relatos de pessoas acampando por até uma semana e de que algumas passaram mal durante a espera.
Diante das aglomerações, a Swatch publicou mensagem nas redes sociais pedindo que as pessoas “não corressem para nossas lojas em grande número” e anunciou o fechamento preventivo de unidades por motivos de segurança. A empresa informou, por nota na segunda-feira (18), que a receptividade à coleção foi “fenomenal em todo o mundo” e que problemas ocorreram em apenas 20 das 220 lojas onde os relógios foram colocados à venda. A Swatch comparou a operação à do MoonSwatch, parceria com a Omega em 2022, quando também houve chamadas policiais e fechamento de lojas, e afirmou que a situação havia se normalizado após o dia do lançamento, ressaltando que a coleção estará disponível por vários meses.
Além das aglomerações físicas, as vendas online apresentaram dificuldades: houve tentativas de uso de bots e outras tecnologias para burlar o sistema. Muitos exemplares passaram a ser revendidos por valores bem acima do preço de varejo. A BBC acompanhou relatos de anúncios com preços entre 3 mil e 5 mil libras (R$ 20 mil a R$ 33 mil) no eBay, e a revista WatchPro alertou que alguns anúncios podem ser falsos. Compradores relatados à imprensa incluem Jaylen, que afirmou ter adquirido um relógio por 335 libras (R$ 2,2 mil) e revendido por pouco mais de mil libras (R$ 6,7 mil), e Ahmed, que disse à BBC que pretende manter o relógio acreditando em valorização futura.
Opiniões sobre o produto variaram entre consumidores entrevistados. Para alguns, como o comprador identificado como Corzo, o relógio pode se tornar peça de herança e aumentar de valor se for de estoque limitado. Outros participantes das filas consideraram que o tempo e o custo envolvidos não justificam o interesse: “Não acho que valha o dinheiro nem o tempo de ficar na fila”, disse Tabassum, de 18 anos, em Birmingham.
Britt Pearce relatou ter visto seguranças “perderem um pouco o controle” em uma loja de Londres antes do lançamento e testemunhou abordagens a compradores por pessoas oferecendo pagar o dobro do valor. Pearce afirmou que a experiência na loja reduziu seu entusiasmo pela colaboração entre as marcas.
A reportagem notou ainda que parte das pessoas na fila era composta por entusiastas, enquanto outras buscavam comprar para revender online. A Swatch reiterou que a coleção estará disponível por vários meses, e o movimento ganhou repercussão global entre consumidores, varejistas e autoridades locais.
Fonte: G1


