O leite passa por uma sequência de procedimentos de controle que começam na fazenda e seguem até a indústria, com o objetivo de assegurar qualidade e eliminar riscos ao consumidor. A rotina de verificação inclui cuidados na ordenha, armazenamento refrigerado, pasteurização e análises laboratoriais antes da liberação dos produtos.
Em Salto de Pirapora (SP), um rebanho de 33 vacas da raça Jersey recebe manejo voltado a reduzir o estresse animal e melhorar as características do leite. A fazenda realiza duas ordenhas diárias, que somam cerca de 500 litros por dia. A alimentação das vacas é composta por silagem de milho e grãos, itens que contribuem para manter o teor de gordura e de proteína do leite.
Antes de cada procedimento de ordenha mecânica, a veterinária Isabelly Dornelas aplica o chamado “teste da caneca preta” para avaliar aspectos como a consistência do leite. Após a retirada, o produto é mantido a 4 °C até o transporte para a fábrica, onde se conserva em refrigeração contínua. A preservação da qualidade é apontada como fator determinante para o sabor, a textura e para o reconhecimento dos queijos elaborados.
Uma indústria da região recebe leite de oito produtores locais e chega a processar cerca de 3.000 litros por dia. Entre os itens fabricados estão queijo fresco, meia cura e um maturado especial chamado Estrada de Ferro, produto que já obteve sete medalhas em competições nacionais. Quando há falhas no processo de pasteurização ou detecção de bactérias, o lote é descartado e não segue para fabricação.
Em Sorocaba (SP), alunos dos cursos de engenharia de alimentos e de farmácia realizam atividades práticas para identificar problemas de qualidade e fraudes no leite. Nas aulas de laboratório são aplicados testes físico-químicos e microbiológicos, que ensinam quais análises são indicadas em cada etapa da cadeia produtiva e como reconhecer adulterações. Entre os tipos de fraude mais frequentes está a adição de água ou de soro ao leite para aumentar o volume.
Para a coordenadora do curso de engenharia de alimentos, Eduarda Gonçalves, a execução desses exames é fundamental para proteger o consumidor. Ela destaca que a avaliação do leite na chegada à indústria é decisiva para determinar se o produto é apto para o consumo.
O conteúdo foi exibido no programa Nosso Campo em 30/8/2026.


