Chefes de três das maiores empresas de inteligência artificial do mundo foram ouvidos pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas em 23 de setembro de 2026, em sessão convocada para tratar dos possíveis riscos associados ao desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais potentes. Sam Altman, da OpenAI, Dario Amodei, da Anthropic, e Clemente Delangue, da Hugging Face, participaram do debate, sendo que Amodei e Delangue compareceram de forma remota.
O encontro abordou preocupações de que modelos avançados de IA possam se tornar mais autônomos, escapar do controle humano e criar perigos à segurança internacional. Executivos e especialistas defenderam medidas coordenadas entre países para reduzir riscos e garantir que o avanço da tecnologia ocorra com responsabilidade.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou: “Se mal gerenciada, acredito até que a IA poderia representar um risco para a humanidade como um todo”.
Sam Altman, líder da OpenAI, ressaltou a importância de articulação internacional na regulação da tecnologia. “Para que a IA seja democrática, as decisões mais importantes não podem ser tomadas apenas por laboratórios em São Francisco”, disse. Altman acrescentou que a regulamentação deve seguir processos democráticos e ser conduzida por governos responsáveis perante suas populações.
Altman também destacou que, ao longo da história, países rivais já se uniram em interesses comuns diante de tecnologias transformadoras e sugeriu que este momento deveria ser equivalente: “Acreditamos que este deve ser um desses momentos”.
O professor Yoshua Bengio, copresidente do painel da ONU sobre IA e considerado um dos “padrinhos da IA”, advertiu para perigos iminentes. Segundo ele, os riscos são “reais e iminentes” e o Conselho enfrenta “uma ameaça sem precedentes: uma ameaça que nenhum de seus membros escolheria, que nenhum consegue conter sozinho e que não respeita as fronteiras que defendemos”.
Representantes governamentais discutiram o desafio de supervisionar a IA em meio a relatos de ataques cibernéticos realizados por meio desses sistemas e à preocupação de que a tecnologia possa representar uma ameaça para a humanidade. A dinâmica entre Estados Unidos e China também foi mencionada: as duas potências, líderes no desenvolvimento da IA, mostram-se divididas entre o interesse em avançar conforme o mercado e o desejo de estabelecer diretrizes globais de segurança.
Ao fim da sessão, permaneceu a ênfase na necessidade de cooperação internacional e em mecanismos democráticos de governança para enfrentar riscos que atravessam fronteiras e interesses nacionais.
Fonte: G1


