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terça-feira, julho 28, 2026

Machosfera: discurso misógino nas redes e o impacto sobre adolescentes

Movimento online e aumento da violência entre jovens

Um conjunto de comunidades e perfis nas redes sociais que promovem ódio às mulheres, defendem submissão feminina e exaltam uma masculinidade baseada em dominação e violência foi alvo de reportagem do Globo Repórter exibida em 10.07.2026. O programa investigou a chamada “machosfera”, também referida por termos como “red pill” — em alusão ao filme Matrix —, e documentou como esse universo de criadores de conteúdo tem alcançado adolescentes cada vez mais jovens.

De acordo com a reportagem, influenciadores e produtores apresentam a narrativa de que homens estariam perdendo espaço para as mulheres e pregam a recuperação de um suposto papel de superioridade masculina. Nas plataformas digitais, essas mensagens circulam em vídeos, memes, cursos e publicações que, somadas, registram visualizações na casa dos bilhões.

Dados judiciais e queda da idade dos agressores

A equipe do Globo Repórter teve acesso a um levantamento inédito da Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro que aponta um crescimento de 600% nos casos de violência de gênero praticada por adolescentes entre 2019 e 2025. Além do aumento no número de registros, a pesquisa judicial identificou redução na faixa etária dos agressores: ocorrências envolvendo meninos de 12 e 13 anos passaram a integrar a rotina da Justiça.

Diante da gravidade das ocorrências, medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, antes mais frequentes em casos com adultos, começaram a ser aplicadas com maior regularidade também contra adolescentes.

Estudo acadêmico sobre conteúdo e monetização

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro analisaram o material produzido pela machosfera e levantaram 76 mil vídeos distribuídos em mais de 7 mil canais. Segundo o estudo, esses conteúdos acumulam mais de 4 bilhões de visualizações e 23 milhões de comentários. Parte do material relativiza a violência contra mulheres, incentiva a misoginia e transformou o discurso de ódio em um negócio lucrativo, beneficiando tanto criadores quanto plataformas, alimentado por algoritmos e alto engajamento.

Iniciativas de enfrentamento

A reportagem também mostrou iniciativas para frear a disseminação dessas ideias. Em escolas, comitês estudantis discutem estratégias de combate à misoginia e promovem noções de masculinidade pautadas pelo respeito e igualdade de gênero. Psicólogos, educadores e pesquisadores ouvidos defendem o diálogo em casa e na escola como ferramenta central para evitar que adolescentes sejam capturados por esse tipo de conteúdo e para fomentar relações mais saudáveis entre homens e mulheres.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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