Mais de 18 milhões de estudantes brasileiros que poderiam participar de estágios não estão inseridos em programas formais, aponta levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) compilado pela Associação Brasileira de Estágios (Abres).
Do total estimado em 20,1 milhões de alunos aptos a estagiar, apenas 1,2 milhão ocupa atualmente uma vaga, o que representa cerca de 6% desse universo. O estudo divide esse contingente em aproximadamente 9,8 milhões de estudantes do ensino médio e técnico e 10,2 milhões matriculados no ensino superior.
Participação por etapa de ensino
No ensino médio e técnico, apenas 275 mil alunos realizam estágio, o equivalente a 2,79% dos estudantes aptos. Entre os matriculados em cursos superiores, cerca de 925 mil participam de programas de estágio, representando 9,04% do total de universitários.
Segundo o levantamento, a maioria dos alunos conclui a formação sem vivência prática na área estudada, o que reflete o acesso limitado à modalidade no país.
Importância do estágio
Especialistas consultados pela Abres destacam que o estágio cumpre papel além da complementação curricular: permite ao estudante desenvolver competências técnicas e comportamentais, entender a rotina de organizações e obter experiência profissional antes da conclusão do curso. Pesquisas da Abres indicam que entre 40% e 60% dos estagiários chegam a ser efetivados ao final do período de estágio, o que posiciona a modalidade como uma das principais portas de entrada para o mercado formal de trabalho.
Além da provável empregabilidade, a experiência prática pode reduzir a evasão escolar, na medida em que alunos que aplicam conhecimentos em situações reais tendem a manter maior engajamento com a formação.
Limitações na oferta e desigualdade regional
O levantamento aponta que muitas empresas mantêm programas de estágio reduzidos ou não possuem iniciativas estruturadas para contratar jovens. Entre os obstáculos mencionados pelo setor estão o desconhecimento da legislação, a percepção de excesso de burocracia e a falta de integração entre instituições de ensino e empregadores.
A oferta de vagas também é concentrada em grandes centros urbanos, o que dificulta o acesso de estudantes de cidades menores e regiões mais afastadas, mesmo quando há formação compatível.
Regulamentação e direitos
O estágio é regulado pela Lei nº 11.788, de 2008. A legislação estabelece o caráter educativo do estágio e define que a atividade não gera vínculo empregatício quando cumpridos os requisitos legais.
Entre os direitos previstos pela lei estão a bolsa-auxílio em casos de estágio não obrigatório, auxílio-transporte, jornada máxima de seis horas diárias (ou 30 horas semanais), recesso remunerado proporcional e supervisão com acompanhamento pedagógico.
Para especialistas ouvidos pela Abres, ampliar o acesso ao estágio implica investir na qualificação da mão de obra e na geração de oportunidades para jovens, mantendo o foco na articulação entre educação e mercado de trabalho.


