O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) admitiu inexistir uma cadeia produtiva organizada de jumentos no Brasil, sobretudo no que se refere ao abate e à exportação de peles destinadas ao mercado chinês. A posição consta em resposta a questionamentos do deputado federal Bruno Ganem (Podemos-SP) e reacende discussões sobre a sustentabilidade e a ética da atividade no país.
Segundo o MAPA, diferentemente de cadeias consolidadas como as de bovinos e suínos, a produção ligada aos jumentos não conta com propriedades especializadas nem com sistema estruturado de criação e abate. Atualmente, os animais encaminhados ao abate são coletados de maneira dispersa, o que compromete a eficiência e a caracterização de uma cadeia produtiva comercial.
Descarte, rastreabilidade e bem-estar
O documento também aponta que a maior parte dos jumentos abatidos é formada por animais classificados como de descarte — aqueles que deixaram de ser úteis nas atividades rurais. Essa realidade tem sido destacada como um indicativo de um modelo que se aproxima mais de práticas extrativistas do que de produção sustentável.
A rastreabilidade é outro ponto criticado. As Guias de Trânsito Animal (GTAs) frequentemente não espelham a origem real dos jumentos, segundo o MAPA, o que pode prejudicar a segurança alimentar e representar risco à saúde pública. Especialistas citados no levantamento afirmam que muitos desses animais permanecem em condições inadequadas antes do abate.
Impactos na espécie e nas exportações
A atividade de abate de jumentos está associada à exportação de peles para a China, onde o colágeno extraído é utilizado na produção de itens como o ejiao. O aumento da demanda internacional tem levantado preocupações sobre a exploração da população de jumentos no Brasil, que, de acordo com o levantamento citado, sofreu uma redução de 94% nos últimos 30 anos.
Pesquisadores e organizações de proteção animal defendem a proibição do abate de jumentos, argumentando que a atual prática não oferece garantias de sustentabilidade nem de bem-estar animal. Há ainda alertas de que a continuidade da atividade pode prejudicar a imagem do agronegócio brasileiro em mercados internacionais que exigem práticas mais responsáveis e sustentáveis.
O reconhecimento oficial pelo MAPA da ausência de uma cadeia produtiva estruturada é visto por interlocutores como um elemento relevante no debate sobre o futuro da exploração de jumentos no país. A necessidade de políticas públicas voltadas à preservação da espécie e ao combate ao abandono aparece como uma demanda crescente conforme a discussão avança.
Fonte: Uberlandianofoco


