O colunista Mário Ferreira abordou, em sua crônica de 26 de setembro, a persistência das desigualdades sociais e a relação entre escolhas individuais e destino econômico. Ele afirma que, embora muitas circunstâncias pareçam fruto do acaso, as decisões pessoais têm papel central na trajetória de cada um.
Ferreira ressalta que a realidade contemporânea apresenta oportunidades que não existiam em sua juventude, citando empregos diversos, escolas públicas gratuitas, cursos profissionalizantes, formação pela internet e a possibilidade de trabalho remoto. Ainda assim, observa que muita gente foca apenas no presente e não planeja o futuro, o que, segundo ele, gera consequências pelas quais alguns responsabilizam o Criador.
Na crônica, o autor também compara a legislação trabalhista brasileira com a de países mais desenvolvidos, afirmando que certas normas aqui podem ser vistas como exageradas e desestimulam empresas interessadas em se instalar no país. Ferreira descreve diferentes desfechos: há quem se dedique, consiga conforto ou enriqueça; outros desperdiçam chances e permanecem na pobreza.
Para ilustrar as desigualdades, ele narra ter visto, na porta de sua casa, uma mulher de mais de quarenta anos varrendo a rua sob forte sol, protegida apenas por chapéu e roupas leves, usando uma vassoura inadequada para o serviço. Ao comentar a cena com um amigo, ouviu que, ao menos, a mulher tinha um emprego — reação que o levou a refletir sobre a distância entre quem ocupa cargos bem remunerados e quem trabalha em serviços precários.
Ferreira recorda ainda um episódio envolvendo Madre Teresa, em que ela questionou a origem dos recursos usados para servir café e lanches em uma reunião de pessoas que criaram uma grande burocracia para a caridade. Diante da informação de que aquilo vinha de doações, Madre Teresa revisou as diretrizes do grupo, segundo a narrativa do autor.
Ao evocar o ensinamento cristão “Amai-vos uns aos outros”, Ferreira defende a prática da solidariedade como forma de aliviar sofrimentos coletivos. Ele esclarece que não faz apologia a doutrinas políticas específicas, mas discursa a favor da fraternidade universal, sugerindo que menos egoísmo poderia reduzir crimes e conflitos.
Por fim, o colunista provoca o leitor com perguntas sobre ações pessoais: se fez algo por alguém naquele dia e se colabora com alguma instituição de caridade.
MÁRIO FERREIRA
Fonte: Gazetadotriangulo


