O presidente argentino Javier Milei apresentou, nesta quinta-feira (31 de julho de 2026), um pacote de medidas que prevê a reorganização do Banco Central da República Argentina (BCRA) e a adoção de um mecanismo de fechamento parcial do Estado em caso de déficit fiscal prolongado.
Segundo o pronunciamento televisionado do chefe do Executivo, o projeto de lei que altera o BCRA busca proibir o financiamento monetário do Estado e das províncias, devolvendo ao banco a missão principal de preservar o valor da moeda. Milei afirmou que a proposta também dificulta os procedimentos de remoção de autoridades da entidade, com o objetivo de “blindar o presidente do BCRA e a diretoria dos abusos da política”.
O presidente criticou gestões anteriores, dizendo que “o Banco Central tem sido uma ferramenta que permitiu o roubo da alta política”.
Paralelamente, Milei anunciou um projeto para estabelecer um “shutdown” governamental quando houver déficit fiscal prolongado. Nesse cenário, explicou, “as atividades não essenciais do Estado serão paralisadas, os novos gastos serão congelados e nenhum contrato será concedido”. O plano prevê que, durante o período, nem os legisladores nem o alto escalão do Executivo “receberão um único peso de salário”.
O anúncio provocou reação imediata do principal sindicato de trabalhadores do Estado, a ATE. O dirigente Rodolfo Aguiar afirmou nas redes que o fechamento “já começou” na prática, por conta de medidas de ajuste, cortes, esvaziamento e demissões em massa, e que muitos serviços essenciais deixaram de ser garantidos.
Além das mudanças no Banco Central e do mecanismo de suspensão de serviços, o pacote inclui propostas para uma “liberalização profunda” do mercado de capitais e uma “reforma estrutural do mercado de seguros”. Milei não detalhou quando os projetos serão protocolados no Congresso; todas as propostas dependem de aprovação legislativa para entrar em vigor.
O ministro da Economia, Luis Caputo, informou que o presidente expôs os detalhes das reformas à diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e que ela saiu da reunião “muito satisfeita”. O FMI já havia manifestado apoio às mudanças, considerando-as essenciais para facilitar o retorno da Argentina aos mercados financeiros e o acesso ao crédito.
O economista Daniel Marx, diretor da consultoria Quantum, avaliou que o anúncio “busca reduzir o risco associado às eleições presidenciais de 2027, que muitas vezes se manifesta na Argentina em movimentos financeiros fortes”.
As propostas seguem agora o trâmite legislativo e dependem do calendário e das deliberações no Congresso argentino.


