Milhares de alunos, professores e moradores se reuniram no início de outubro no campus da Universidade de Cornell, em Ithaca, Nova York, em protesto de apoio à ex-aluna identificada como Jane Doe, que apresentou ação judicial afirmando ter sido drogada e violentada coletivamente em uma festa na residência da fraternidade Chi Phi.
O que motivou a manifestação
O processo, relatado pelo jornal estudantil The Cornell Daily Sun, alega que a vítima foi drogada e atacada por sete homens durante uma confraternização. O caso gerou forte reação no campus e provocou a mobilização de milhares de pessoas que exigem responsabilização tanto dos supostos agressores quanto da administração da universidade.
Reivindicações dos manifestantes
Entre as principais demandas está a renúncia do reitor Michael Kotlikoff. Os manifestantes também pedem a expulsão dos estudantes apontados no processo ou a revogação de seus diplomas, além da contratação de uma investigação externa para apurar a conduta da instituição. Os protestos têm como foco garantir responsabilização, transparência e justiça para Doe e para outras possíveis sobreviventes.
Durante a manifestação, participantes relataram sentir insegurança no campus e criticaram a forma como a universidade teria tratado o caso. “Eu não me sinto em segurança neste campus de jeito nenhum”, afirmou a estudante Andrea Cicirello durante o ato. Em entrevista à DW, Cicirello criticou a cultura institucional que, segundo ela, facilitaria episódios de violência sexual.
Outra estudante, Kaori Quan, disse: “Eu também não me sinto segura neste campus. Já chega. Os administradores deste campus não se importam com os estudantes. Demonstraram isso repetidas vezes”.
Comparações e apoio comunitário
Participantes do protesto também apontaram discrepâncias entre as punições aplicadas neste caso e as consequências impostas a manifestantes pró-Palestina, argumentando que houve falta de responsabilização em relação à acusação de agressão sexual enquanto outras manifestações resultaram em suspensões consideradas severas.
Além de estudantes, professores e moradores de Ithaca se juntaram ao ato. Willa Urbanczyl, moradora local, criticou a aparente leniência nas punições e disse estranhar que, segundo relatos, cinco dos estudantes apontados no incidente tenham conseguido continuar os estudos com penalidades leves.
A mobilização reuniu milhares de pessoas e colocou em destaque as demandas por maior segurança no campus e por esclarecimentos sobre a forma como a Universidade de Cornell tem administrado casos de agressão sexual.
Fonte: G1


