O Ministério da Justiça publicou nesta segunda-feira (21) a demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal (PF), por infração disciplinar classificada como “abandono de cargo”. A decisão, assinada pelo ministro Wellington Lima e Silva na sexta-feira (18), foi divulgada no Diário Oficial da União.
A demissão se baseia em conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) aberto pela corregedoria da PF, que identificou ausências não justificadas do servidor por mais de 30 dias consecutivos. A corporação encaminhou o processo à pasta para a decisão final do ministério, à qual está subordinada.
O que motivou a apuração
O ex-deputado federal estava afastado do posto na PF para exercer o mandato na Câmara. Com a perda do mandato, em dezembro de 2025, ele deveria ter retornado às atividades no órgão, o que, segundo a investigação administrativa, não ocorreu. A corregedoria instaurou o PAD em janeiro de 2026 para apurar possível abandono de cargo. Após a conclusão, a Polícia Federal recomendou a demissão do ex-parlamentar ao Ministério da Justiça.
Carreira e remuneração
O afastamento resulta na perda do vínculo com a carreira de escrivão da PF, função para a qual é exigida aprovação em concurso público. De acordo com a Tabela de Remuneração dos Servidores Federais de 2025, o salário inicial do cargo é de R$ 14.164,81. Com progressão na carreira, a remuneração pode alcançar R$ 21.987,38, dependendo da classe ocupada pelo servidor.
Atribuições do escrivão
O escrivão é responsável por registrar, organizar e formalizar boa parte dos procedimentos produzidos durante investigações. Entre as atribuições estão a lavratura de autos, termos, depoimentos e mandados; controle de prazos; organização de inquéritos; preparação de documentos para a Justiça; acompanhamento de diligências; gestão de fianças e de objetos apreendidos; e apoio a atividades administrativas e operacionais da corporação.
Contexto pessoal
Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde o início de 2025, alegando ter deixado o país por considerar-se alvo de perseguição política. Em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara declarou a perda do mandato por excesso de faltas, o que encerrou o afastamento que lhe permitia exercer atividade parlamentar sem retornar à PF. Em julho, o governo do presidente americano Donald Trump concedeu ao ex-parlamentar um green card, autorizando sua residência e trabalho permanentes nos EUA.
A notícia segue sem desdobramentos adicionais publicamente divulgados sobre recursos administrativos ou medidas complementares.
Fonte: G1 – Conheça a carreira de escrivão da PF, cargo do qual Eduardo Bolsonaro foi demitido


