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sexta-feira, março 6, 2026

Ministério da Saúde diz não recomendar quimioprofilaxia contra malária; documento contraria gabarito do Revalida e candidatos pedem anulação

Documento oficial do Ministério da Saúde entra em contraditório com gabarito do Revalida e gera pedido de cancelamento de questão

Um ofício do Ministério da Saúde, datado de 22 de janeiro de 2026 e obtido pelo g1, aponta que não há indicação de quimioprofilaxia para malária no Brasil, informação que entrou em conflito com a resposta considerada correta pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no gabarito da primeira fase do Revalida 2025.02. Candidatos afetados pela divergência pedem a anulação da questão 40, afirmando que um ponto adicional poderia ter alterado o resultado final do exame.

O Revalida, cuja divulgação dos resultados ocorreu em dezembro de 2025, habilita médicos formados no exterior a atuar no país se alcançarem o desempenho mínimo exigido. Avançaram para a segunda etapa os participantes que acertaram ao menos 61 das 100 questões objetivas.

A questão contestada descreve o caso de uma médica jovem e saudável que atuará em uma comunidade indígena na região Amazônica e exige que o candidato escolha a medida medicamentosa preventiva mais adequada para proteger a profissional em área endêmica de malária. No gabarito divulgado pelo Inep, a alternativa considerada correta foi a doxiciclina.

Em resposta a uma pergunta enviada pela plataforma Fala.Br por uma candidata, a Coordenação-Geral da Eliminação da Malária, vinculada à Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, informou que não existe recomendação de quimioprofilaxia para moradores ou profissionais de saúde que vivem ou trabalham na Amazônia ou em outras regiões do país. O documento ressalta a existência de uma rede descentralizada de diagnóstico e tratamento da malária mantida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que garante exames e tratamento gratuitos nos casos confirmados.

Em novo questionamento sobre situações específicas nas quais a quimioprofilaxia seria indicada no contexto epidemiológico brasileiro, a pasta reiterou que não há indicação para moradores ou profissionais de saúde no território nacional. O ministério citou o predomínio da espécie Plasmodium vivax no Brasil, para a qual a eficácia da quimioprofilaxia é considerada baixa, e apontou riscos relacionados à proteção incompleta contra Plasmodium falciparum e à possibilidade de indução de resistência a antimaláricos. O documento também observou que a tafenoquina, opção com atividade para vivax, está aprovada no país apenas para tratamento e não para profilaxia.

Em entrevista ao g1 em dezembro de 2025, o infectologista Marcus Lacerda, diretor do Programa Especial para Pesquisa e Treinamento em Doenças Tropicais (TDR) da Organização Mundial da Saúde e pesquisador da Fiocruz, afirmou que a decisão sobre profilaxia em regiões amazônicas costuma ser tomada caso a caso e que a literatura internacional aponta a doxiciclina como opção com eficácia contra Plasmodium falciparum. Lacerda destacou, entretanto, que essa orientação difere da posição formal do Ministério da Saúde.

O edital do Revalida estabelece que as práticas médicas avaliadas devem estar alinhadas ao funcionamento e às exigências do SUS e às diretrizes nacionais. Diante disso, candidatos defendem que o Inep deveria ter considerado as orientações oficiais do Ministério da Saúde ao definir o gabarito.

O g1 procurou o Inep e o Ministério da Educação (MEC) para questionar se a questão será anulada e apresentou os documentos obtidos via Fala.Br. Até a última atualização desta reportagem, não havia resposta do Inep ao questionamento.

Com informações de G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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