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quarta-feira, setembro 9, 2026

Morre Zélia Amador de Deus, referência da luta antirracista na Amazônia

Belém (PA) — A professora emérita Zélia Amador de Deus, 74 anos, faleceu nesta terça-feira (8) em Belém. Pesquisadora em ciências sociais e militante pelos direitos da população negra, Zélia foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e teve atuação destacada na defesa das comunidades quilombolas na região Amazônica.

Em 18 de agosto a Universidade Federal do Pará (UFPA) realizou uma homenagem à docente com o plantio de um baobá, gesto que a universidade associou à importância de Zélia para tornar a instituição mais plural, inclusiva e comprometida com a igualdade racial. A UFPA também a reconheceu como uma das principais referências do movimento negro na Amazônia.

Durante a cerimônia, Zélia se emocionou ao afirmar que o baobá simbolizava ancestralidade e memória, referindo-se à importância da árvore em tradições de diversos povos africanos. Ao longo da carreira, defendeu a ampliação do acesso e a permanência de grupos historicamente excluídos no ensino superior.

Zélia exerceu o cargo de vice-reitora da UFPA entre 1993 e 1997. Em 2019 recebeu o título de professora emérita de Antropologia e Ciências Sociais pela mesma universidade.

O reitor Gilmar Pereira da Silva destacou a condição de referência da professora, ressaltando que, além de símbolo institucional, Zélia manteve sempre relações humanas baseadas na amizade e no cuidado com as pessoas.

Repercutiram também declarações de lideranças e colegas. A historiadora Janira Sodré, fundadora do Instituto Pretas e secretária executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), definiu Zélia como “insurgente” e afirmou que ela orientou o olhar sobre o país ao valorizar o protagonismo das mulheres da Amazônia Negra, acrescentando que será lembrada por sua tenacidade e alegria.

O professor Jonas Pinheiro, pesquisador na área de educação, apontou a contribuição de Zélia na luta pelas cotas raciais, no processo seletivo especial quilombola e no reconhecimento dos saberes tradicionais, abrindo caminhos para que quilombolas, negros, indígenas e povos tradicionais ocupassem e permanecessem na UFPA.

A cantora e compositora Gaby Amarantos também lamentou o falecimento e afirmou que os ensinamentos da professora permanecerão.

Zélia nasceu em 1951, em uma fazenda de gado em Soure, na Ilha do Marajó. Filha de uma mãe solteira de 15 anos, mudou-se com a família para a periferia de Belém. Sua trajetória familiar incluiu trabalhos domésticos da mãe, o avô que deixou a vaquejada no Marajó para trabalhar na construção civil e a avó que lavava roupas para terceiros.

Segundo a UFPA, Zélia estudou em escolas públicas e sofreu episódios de racismo por causa da cor da pele e do cabelo crespo. Ela costumava dizer que aprendeu com a avó a não baixar a cabeça e a impor sua presença em qualquer ambiente.

Fonte: https://uberlandianofoco.com.br/morre-zelia-amador-de-deus-referencia-da-luta-antirracista-na-amazonia/

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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