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sábado, agosto 15, 2026

Museu da Pessoa lança coleção digital com memórias do futebol de várzea em São Paulo

O Museu da Pessoa divulgou uma coleção digital que reúne depoimentos de pessoas envolvidas com o futebol de várzea em São Paulo. Lançada no Museu do Futebol, a iniciativa apresenta relatos de 17 personagens que viveram e ainda participam desse segmento esportivo.

Um dos curadores do projeto, o jornalista esportivo José Trajano, ressaltou a diversidade e a resistência do universo da várzea. Segundo ele, o material inclui pioneiros, mulheres que atuam como jogadoras e treinadoras e um artilheiro prestes a atingir a marca de 1.000 gols, evidenciando trajetórias variadas e histórias marcantes.

Entre as transformações apontadas pelo projeto está a perda de áreas destinadas à prática do futebol amador devido à especulação imobiliária. Como exemplo, Trajano citou o Grêmio Esportivo Cruz da Esperança, situado no Complexo do Campo de Marte, que serviu à várzea desde a década de 1960 e foi demolido pela prefeitura para a construção de um parque.

O curador também chamou atenção para as consequências da redução de campos: a concentração de equipes em espaços menores, a cobrança por uso e a substituição do gramado natural por superfícies sintéticas. Para Trajano, essas alterações ameaçam a forma tradicional de jogar e organizar o futebol de várzea.

O acervo inclui ainda referências ao surgimento e à consolidação de equipes femininas. O Clube Aliança da Casa Verde, por exemplo, foi destacado como referência no futebol de várzea feminino. Uma das entrevistadas, Soraia Marques Trindade, que tem mais de 20 anos de atuação entre os clubes Aliança e Bola Preta, participou com depoimento sobre sua trajetória no movimento.

Em material gravado e disponibilizado pelo Museu da Pessoa, Soraia manifestou desejo por maior atenção das autoridades ao futebol feminino e esperança de conquistar um campo para dar continuidade ao trabalho que desenvolveu por décadas.

Além de remeter ao universo esportivo, os relatos expostos na coleção mostram a importância das comunidades que se organizam em torno da várzea, evidenciam formas de resistência às mudanças urbanas e apontam como essas práticas estão ligadas à identidade de moradores e atletas, não apenas aos jogadores.

De acordo com o projeto, o futebol de várzea paulistano tem origem em campos improvisados às margens de rios e córregos ao longo do século 20 e tornou-se parte da cultura popular da cidade. A coleção digital “Memórias do Futebol de Várzea” pode ser acessada no site do Museu da Pessoa.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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