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terça-feira, agosto 11, 2026

NASA testa X-59 para reduzir estrondo sônico e avaliar voos supersônicos sobre áreas habitadas

A NASA está testando a aeronave experimental X-59 com o objetivo de produzir um ruído mais suave do que o estrondo sônico tradicional e verificar se aviões poderão voar acima da velocidade do som sobre áreas habitadas. A iniciativa faz parte da missão Quesst, que reúne estudos e testes para analisar os efeitos do som gerado pela aeronave.

A agência pretende não apenas medir o ruído gerado pelo X-59, mas também observar como as pessoas reagem ao som produzido. As informações coletadas servirão para auxiliar reguladores na definição de novos limites de ruído para voos supersônicos comerciais sobre terra.

O estrondo sônico ocorre a partir de ondas de choque que se formam em diferentes partes da aeronave — como o nariz, a cabine, as asas, as entradas de ar dos motores e a cauda — sempre que o fluxo de ar muda rapidamente de direção. Essas ondas se propagam e tendem a se combinar antes de chegar ao solo, o que normalmente resulta no estrondo percebido pelos observadores.

Ao contrário da ideia de que o estrondo só é produzido no momento em que a aeronave “quebra a barreira do som”, o fenômeno é contínuo enquanto o avião viaja mais rápido que a velocidade do som. Nessa condição, as variações de pressão ao redor da aeronave tornam-se intensas, gerando ondas de choque que chegam ao solo após se propagarem pela atmosfera.

As ondas também se espalham lateralmente ao longo da trajetória, atingindo uma área extensa no solo — por isso várias pessoas podem ouvir um mesmo voo. Como exemplo, um avião a 55 mil pés pode levar quase um minuto para que o estrondo atinja o solo, tempo no qual a aeronave já percorreu muitos quilômetros. A forma do avião, sua trajetória e as condições atmosféricas influenciam como o som é percebido; observadores próximos podem ouvir um único estrondo, dois sons próximos ou um ruído mais suave.

O X-59 foi concebido com um desenho específico para reduzir a intensidade do estrondo, produzindo um “baque” sônico menos pronunciado. O desenvolvimento da aeronave baseou-se em modelos computacionais, testes em túneis de vento, experimentos em laboratórios acústicos, além do uso de microfones, sensores e de aeronaves de apoio.

A missão Quesst agrega esse conjunto de pesquisas para testar uma alternativa que vem sendo estudada há décadas para viabilizar voos supersônicos comerciais sobre terra. A próxima etapa dos testes prevê sobrevoos de comunidades para avaliar as reações ao novo som e a divulgação dos resultados a reguladores dos Estados Unidos e de outros países, com a expectativa de contribuir para padrões internacionais de ruído que considerem limites baseados no som, e não apenas na velocidade.

O projeto conta com o apoio da Diretoria de Missões de Pesquisa Aeronáutica da NASA e representa a fase mais recente dos estudos da agência sobre estrondos sônicos e aviação supersônica.

Imagens: Divulgação/NASA; Lockheed Martin / Michael Jackson

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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