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terça-feira, junho 23, 2026

Natto, prato japonês de soja fermentada, ganha espaço global impulsionado pela fama de superalimento

Natto, tradicional alimento japonês feito a partir da soja fermentada, tem ampliado sua presença fora do Japão em meio a uma onda de interesse por alimentos fermentados. Conhecido por sua textura viscosa, cheiro marcante e sabor ácido, o produto é consumido rotineiramente no café da manhã japonês e provoca reações divididas entre quem o experimenta.

Fios translúcidos que se esticam dos hashis e o aroma intenso fazem parte da experiência descrita pelo turista americano Wesley Smith, que provou o prato em um restaurante de Tóquio onde o natto é servido à vontade. “No começo achei um pouco estranho”, afirmou Smith à AFP, comparando posteriormente o natto a um “queijo forte”, embora tenha dito duvidar de que a mesma consistência viscosa conquiste grande popularidade nos Estados Unidos.

O interesse global acompanha um movimento maior por alimentos fermentados, como kimchi e kombucha. Dados recentes apontam que as exportações japonesas de natto triplicaram desde 2017 e alcançaram 5.248 toneladas em 2025, com China e Estados Unidos como principais destinos.

Em Los Angeles, o proprietário do restaurante japonês Suehiro, Kenji Suzuki, observa aumento de clientes não japoneses dispostos a provar o natto. “Quando as redes sociais começaram a falar do natto e de seu status de superalimento, cada vez mais pessoas quiseram experimentá-lo para ver se era realmente tão desagradável quanto dizem”, disse ele.

Além do apelo ligado à saúde, o natto é valorizado no Japão por seu preço baixo: um pacote com três porções costuma custar cerca de 100 ienes, o equivalente a aproximadamente US$ 0,60 (cerca de R$ 3).

Mesmo assim, o produto não ficou imune à alta de preços. Segundo Yoshihiro Noro, ex-presidente da Federação Japonesa de Cooperativas de Natto, a escassez de nafta — derivado do petróleo usado na fabricação das embalagens —, relacionada à guerra no Oriente Médio, pressionou custos. Noro, de 72 anos, vê na situação uma oportunidade para o natto superar sua imagem de “comida de pobre”.

O empresário afirmou ter desenvolvido uma versão chamada Kamakurayama Natto, descrita por ele como “extremamente viscosa”, porém sem “cheiro nem amargor”. “Continuem comendo… vocês vão acabar gostando!”, incentivou Noro.

O interesse crescente e as mudanças na produção e no comércio internacional colocam o natto em destaque como um alimento tradicional que alcança novos mercados e públicos.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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