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quarta-feira, junho 17, 2026

NOAA anuncia El Niño e explica por que fenômeno aumenta riscos às safras tropicais

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) declarou nesta semana a chegada do El Niño e avalia que há 63% de probabilidade de o fenômeno atingir níveis considerados muito fortes, ou de um “super El Niño”, até 2027. Especialistas alertam que o aquecimento do Pacífico pode elevar temperaturas, modificar padrões de chuva e afetar a produção agrícola global, com impactos diferentes por cultura e região.

O que é o El Niño

O El Niño é um aquecimento periódico da superfície do mar no Pacífico oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O evento ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses. Em episódios anteriores, o fenômeno trouxe aquecimento global localizado, secas no Sul e Sudeste da Ásia, na Austrália e na África Austral, e precipitações intensas em áreas como o sul da América do Sul e partes dos Estados Unidos.

Efeitos nas safras

Cacau: Análises da gestora WisdomTree mostram que todos os episódios fortes de El Niño nos últimos 55 anos reduziram a produção mundial de cacau. Na última ocorrência forte, entre meados de 2023 e meados de 2024, a África Ocidental — principal produtora mundial — enfrentou primeiro chuvas aproximadamente duas vezes acima do normal, que favoreceram doenças fúngicas. Em 2024 o padrão mudou para calor intenso e ventos Harmattan excepcionalmente secos, prejudicando a florada. Cerca de metade do cacau global vem da Costa do Marfim e de Gana; o Equador, terceiro maior produtor, também sofreu com chuvas excessivas durante El Niño. Os preços do cacau quase triplicaram em 2024 após a quebra de safra na África Ocidental, chegando a mais de US$ 12.000 por tonelada métrica no fim do ano.

Café: O El Niño costuma elevar temperaturas e reduzir chuvas no Vietnã e na Indonésia — primeiro e terceiro maiores produtores de robusta — a partir da metade do ano, afetando a fase de desenvolvimento da cultura e refletindo na colheita a partir do quarto trimestre. Juntos, Vietnã e Indonésia contribuem com cerca de 50% da produção mundial de robusta. Analistas do Citi alertam que a seca nessas regiões pode reduzir significativamente a produtividade. No caso do arábica, quase metade da produção vem do Brasil; dirigentes do setor, como Carlos Santana, da Eisa (subsidiária da trading Ecom), disseram que o fenômeno pode, inicialmente, proteger a safra atual brasileira ao reduzir risco de geadas, mas tende a trazer seca e calor ao país no quarto trimestre, o que pode prejudicar a safra 2027.

Açúcar: Para o açúcar, o El Niño geralmente provoca chuvas excessivas no segundo semestre nas áreas produtoras do Brasil, o que pode atrapalhar colheita e reduzir qualidade. Na Índia e na Tailândia, por outro lado, o fenômeno costuma diminuir as precipitações durante a monção de verão. A Índia projeta que a monção de 2026 terá o menor volume de chuva em 11 anos, com precipitação de junho a setembro estimada em cerca de 90% da média. Carlos de Mello, diretor de açúcar da corretora Hedgepoint, estima que mesmo um El Niño moderado pode reduzir a produção indiana em cerca de 1 milhão de toneladas. Apesar dos riscos de curto prazo, Mello afirmou que as chuvas acima da média no Brasil associadas ao El Niño podem beneficiar a safra de 2027; o país responde por cerca de metade das exportações mundiais de açúcar.

Os choques climáticos previstos pelo El Niño somam-se a outros fatores de custo já enfrentados pelos agricultores em 2026, como variações nos preços de fertilizantes e do diesel, intensificadas por conflitos internacionais. O comportamento do mercado das commodities agrícolas será observado à medida que o próximo semestre confirme a intensidade do El Niño.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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