Tarifa global de 15% passa a valer nos Estados Unidos a partir de 24 de fevereiro
Entrou em vigor nesta terça-feira (24) a tarifa de 15% sobre importações de todos os países anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida foi divulgada no sábado, depois de a Suprema Corte dos EUA ter revogado, um dia antes, o tarifaço aplicado em 2025.
Entidades do setor produtivo e analistas apontam que, apesar do aumento da incerteza em razão de alterações frequentes nas regras comerciais, a combinação da decisão judicial e da nova alíquota pode ter efeitos positivos para as exportações brasileiras.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) avaliou que a imposição de uma tarifa uniforme de 15% amplia a volatilidade do ambiente de negócios, dificultando o planejamento, a execução de contratos e decisões de investimento das empresas. Ao mesmo tempo, a federação ressaltou que, por se aplicar a todos os países, a medida preserva a competitividade relativa do Brasil em relação a concorrentes estrangeiros. Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, afirmou que o setor demanda previsibilidade e que mudanças sucessivas nas regras comerciais prejudicam a segurança jurídica e o ambiente de negócios, mas reconheceu que a tarifa global reduz distorções na competição.
Welber Barral, sócio da BMJ e ex-secretário de Comércio Exterior, considerou positiva a determinação da Justiça norte-americana anterior ao anúncio de Trump, por aliviar a sobretaxa que incidia sobre exportadores. Segundo ele, a equiparação das tarifas entre países cria espaço para aumento da competitividade de setores brasileiros que vinham sendo onerados por alíquotas mais altas — em alguns casos, citou-se alíquotas de 40% — o que tende a melhorar a posição desses produtos no mercado dos EUA.
O presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Abrão Neto, disse que a decisão da Suprema Corte abriu caminho para a redução expressiva das tarifas que incidiam especificamente sobre produtos brasileiros, melhorando o acesso ao mercado norte-americano. A Amcham estimou que cerca de US$ 13 bilhões em vendas anuais ao mercado dos Estados Unidos — aproximadamente um terço das exportações brasileiras para aquele país — poderão ser beneficiados.
No entanto, a entidade alertou que os efeitos ainda são incertos, já que o governo americano anunciou que continuará a iniciar novas investigações comerciais nas próximas semanas e meses.
Um relatório da Global Trade Alert, organização que monitora políticas de comércio internacional, concluiu que Brasil e China foram os principais beneficiados pelas recentes mudanças tarifárias dos EUA, incluindo a decisão da Suprema Corte. O estudo aponta que o Brasil terá a maior redução nas tarifas médias, com queda de 13,6 pontos percentuais; a China registraria recuo de 7,1 pontos e a Índia, de 5,6 pontos. Em contrapartida, aliados importantes dos EUA — Reino Unido, União Europeia e Japão — passariam a enfrentar encargos médios mais elevados, respectivamente com aumentos de 2,1, 0,8 e 0,4 pontos percentuais.
Com informações de G1

