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domingo, junho 21, 2026

Novo episódio de El Niño em formação põe à prova preparo do Brasil para extremos climáticos

Um novo episódio de El Niño já apresenta sinais no Pacífico e acende alertas sobre possíveis chuvas no Sul e secas no Norte e no Nordeste do Brasil, em um cenário que desafia a capacidade de preparação do país após tragédias recentes.

Satélites, radares e boias oceânicas acompanham uma massa de água mais quente avançando pelo Oceano Pacífico em direção à costa sul-americana, padrão que indica a formação de mais um El Niño. A principal dúvida entre os pesquisadores é a intensidade do evento: há consenso de que a tendência é de um fenômeno entre moderado e forte, mas especialistas descartam classificar de forma simples como um “super El Niño”.

Segundo critérios científicos, o El Niño é identificado quando a temperatura da superfície do Pacífico equatorial fica em torno de 0,5 °C acima do normal por pelo menos três meses; medições desde fevereiro já registram essa elevação. Além disso, entre o fim de abril e meados de maio, a temperatura da superfície do mar na área de referência aproximou-se de níveis típicos do El Niño, apoiada por anomalias térmicas abaixo da superfície superiores a 6 °C.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta 90% de probabilidade de ocorrência do El Niño ainda este ano e alerta que um episódio de intensidade forte tende a agravar secas, chuvas intensas e ondas de calor, ampliando riscos em terra e no oceano. Em nota divulgada na terça-feira (02), a agência das Nações Unidas ressaltou que as condições de El Niño podem intensificar os efeitos do aquecimento global.

Pesquisadores explicam que o local do maior aquecimento no Pacífico será decisivo para como os impactos se manifestarão no Brasil. Comparando registros passados, a estimativa é de que os primeiros sinais no país apareçam no Sul já na primavera, com aumento das precipitações. Em contrapartida, espera-se agravamento de secas durante o inverno e início do verão no Norte — com destaque para a Amazônia — e em parte do Nordeste, condições que podem favorecer queimadas e prejudicar a produção agrícola.

O episódio mais recente do El Niño, entre 2023 e 2024, esteve entre os cinco mais intensos registrados e contribuiu para recordes de temperatura globais. No Brasil, permanece viva a lembrança das chuvas extremas de 2024 no Rio Grande do Sul, quando a sobreposição de eventos climáticos provocou a pior enchente da história do estado, com forte impacto nas periferias de Porto Alegre.

No Congresso, debates avaliam os possíveis reflexos do fenômeno sobre população, economia e agronegócio. A próxima safra de grãos está projetada em 356 milhões de toneladas, alta de 1,2% em relação à anterior, e autoridades discutem medidas preventivas frente ao risco de perdas.

A Defesa Civil da União diz acompanhar diariamente as condições climáticas em articulação com estados, municípios, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O órgão afirma que, diante da incerteza sobre impactos específicos, a atuação está concentrada em monitoramento constante e preparação antecipada para emitir alertas e adotar medidas se necessário.

Especialistas e representantes de organizações sociais criticam a ausência de políticas estruturais de adaptação. Para a secretária executiva da Rede por Adaptação Antirracista, Thaynah Gutierrez, comunidades periféricas carecem de investimentos para se adaptar a chuvas e secas extremas. Pesquisadores do Cemaden defendem que a preparação deve ser permanente, com foco em resiliência urbana, infraestrutura e sistemas produtivos, em vez de reações pontuais a cada novo alerta.

Outro ponto destacado é a comunicação do risco: a multiplicação de análises nas redes sociais e por consultorias privadas tem gerado informações contraditórias e alarmismo, dificultando a adoção de medidas concretas pela população. Também foi citado o desafio de execução de recursos públicos para prevenção. Em Santa Catarina, por exemplo, apesar do decreto de alerta climático até novembro, apenas 15,4% dos recursos orçados em 2025 para a Secretaria de Proteção e Defesa Civil foram executados, e apenas 0,66% do montante previsto para barragens foi empenhado.

Especialistas e organizações cobram planejamento e responsabilização em todas as esferas de governo para reduzir a dependência de ações emergenciais e aumentar a capacidade de resposta antes da ocorrência de novos eventos extremos.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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